“Felicidade tem Cor” mostra que viver o momento é melhor do que viver o tédio

Tenho vários amigos que acham que, na época em que a televisão só transmitia imagens em preto e branco, o mundo era assim também: todo trabalhado nos 50 tons de cinza.

E é esse o mote do livro Felicidade tem Cor, de Fred Di Giacomo e Karin Hueck (não, nada a ver com a história mal escrita de EL James que não convém mencionar num blog sobre literatura infantil, desculpe): um dia, Benjamin acorda enxergando o mundo em preto e branco.

Foi aí que ele descobriu o significado da palavra tédio. Mas foi a partir daí, também, que ele entrou no mundo de Alice, uma amiga que tem lápis de cor nos olhos. E começou a perceber que a parte mais interessante da vida é prestar atenção nas coisinhas pequenas do dia-a-dia. E que, quando a gente começa a se ligar no momento, em viver o que está acontecendo à nossa volta, o tédio some e nunca mais aparece. É… Pode testar aí. Garantido que funciona.

Fred e Karin são amigos meus, também jornalistas, e eles acabaram de fazer o Benjamin. Os dois se empenharam em estudar todas as formas de se alcançar e de viver a felicidade, e você pode acompanhar essa lindeza de trabalho aqui, no Glück. E aí, a vinda do Benja era só o pontinho que faltava para eles falarem sobre felicidade para crianças. Fazendo a dona clichê, não-é-porque-são-meus-amigos-mas: ficou uma belezinha de história.

Benjamin passa a entender que as cores não estão só em quem tem olhos de lápis de cor: também estão no cheiro das coisas (obrigada, agora sei que aquela arvorezinha na frente do Coqueiros 2 é um manacá-de-cheiro, e eu pensava que fosse uma dama da noite!), nos sabores de sorvete… E Alice vai além: mostra que atitudes prazerosas do cotidiano, que têm tudo a ver com ajudar pessoas, podem encher a nossa vida de cor.

E só para deixar esse livro fofo ainda mais completo de fofuras, as ilustrações de Mariana Salimena são PERFEITAS para colorir. E, no fim, sem parecer piegas e nem dar lição de moral, a história deixa um questionamento para o leitor: que coisas deixam a sua vida mais colorida? Manacá-de-cheiro, no meu caso, é uma delas.

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Felicidade tem Cor
Indicado para crianças a partir de 6 anos
Autores: Fred Di Giacomo e Karin Hueck
Ilustradora: Mariana Salimena
Editora: Matrix
Páginas: 32

Neil Gaiman escreve versão macabra para o clássico ‘João e Maria’

Na história politicamente correta, João e Maria se enfiam no meio da densa floresta sozinhos, à procura de comida. Até encontrarem, no meio do mato, uma casa feita de doces, onde uma velha senhora (que eles descobrem depois que é uma bruxa malvada) vive.

A velha senhora tem um plano: comer os dois irmãos assados. Mas os dois conseguem esturricá-la antes no forno e vão embora, não sem antes comerem umas lasquinhas da casa doce.

A história já é meio macabra por si só. Imagine então nas mãos de Neil Gaiman, um dos maiores nomes do terror infanto-juvenil-quadrinístico deste planeta.

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Neil teve a ideia de reescrever o conto clássico dos irmãos Grimm depois de se apaixonar pelas sombrias ilustrações de Lorenzo Mattotti – outra referência dos quadrinhos. Os traços de tinta indiana em preto e branco de Mattotti ilustram essa edição da Intríseca. Juntos, os dois criaram um livro denso, recomendável para crianças já crescidas, que têm ideias claras sobre bem e mal, sobre vida e morte, sobre guerra e paz.

A história não tem rodeios: João e Maria tiveram a infelicidade de viver em uma época de guerra e fome. A mãe e o pai os abandonam à própria sorte, no meio da floresta. A velha senhora é uma esfomeada, também vítima da guerra, que sonha em comer carne novamente. E – spoiler – Maria mata a bruxa queimada no forno de ferro da casa doce. É quase uma realidade, mesmo distante da atual, já que não vivemos em um período de guerra. Talvez o único detalhe fantástico da história seja a casa feita de doces.

E por que você daria um livro tão macabro para um pré-adolescente? Porque é bem escrito. Muito bem escrito. Vai por mim. É Neil Gaiman. Nem eu, que sou muito fã de terror, gosto. E acho incrível como ele consegue desenvolver tramas psicológicos para gente que ainda nem tem muita noção do que os nossos pensamentos são capazes. É uma bela maneira de iniciar as pessoas nos saborosos e delicados caminhos intrincados da mente. A casa doce está lá. Entrar nela sempre será opção quando a gente tem fome.

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João & Maria
Indicado para crianças a partir de 10 anos
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Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Lorenzo Mattotti
Editora: Intrínseca
Páginas: 55

No Dia dos Avós, leia 3 livros infantis sobre as avós

1. Vó Coruja

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Ah, se todo idoso fosse tratado como são tratados os mais velhos nas aldeias indígenas… Escrito com a sabedoria de Daniel Mundukuru e a poesia de Heloisa Prieto, Vó Coruja fala de Irani, uma senhora de longos cabelos brancos que conhece todos os segredos do mundo. Durante uma festa de aniversário, ela conta aos netos cinco lendas indígenas tão gostosas de ler que parece que a gente se transporta para aquela rodinha de conversa, à beira do rio, de onde é possível escutar, ao longe, as celebrações de uma festa de aniversário. Importantíssimo para desenvolver o senso de tolerância dos nossos pequenos – não só entre povos, como também entre os jovens e os mais velhos. Também é perfeito para conhecer melhor as lendas dos povos brasileiros, que não merecem ser esquecidas.

2. Sopa

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Só depois de 15 páginas de belas ilustrações da argentina Raquel Cané que a história escrita realmente começa – e é justamente no momento em que a neta encontra a avó, depois de uma longa viagem de trem para visitá-la. O encontro é celebrado com sopa. A receita, tão saborosa e tão cheia de memórias, é absorvida pela neta, que depois de alguns anos passa a servir o mesmo caldo quente às filhas, em uma continuação das sutilezas da vida.

3. A Avó Adormecida

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Com a delicadeza que só um bom escritor consegue ter, o italiano Roberto Parmeggiani fala sobre o relacionamento que ele teve com sua avó quando era criança. Carinhos e cumplicidades entre idosos e crianças que a maioria de nós conseguimos nos identificar. E com toda a delicadeza do mundo, Roberto conta como foi passar pela sensação de vazio e impotência com a morte dela. Um livro interessante para crianças maiores, que precisam de uma ajuda extra para entender esse fato da vida tão comum, mas cheio de tabus.

História de Mix, Max e Mex: um livro que tem tudo para se tornar um clássico

Sabe aqueles contos europeus antigos, que se passam em frias cidadezinhas históricas, ou em fazendas úmidas, onde as estações do ano são definidas, as pessoas e os bichos têm funções estabelecidas e eles cumprem essas funções à risca? São aquelas histórias que, em poucas páginas, contam o tempo de décadas, e fazem a gente acreditar que nesses lugares, o tempo passa diferente.

Tem muita história assim. A maioria delas foi escrita no século passado. E é um alento saber que o estilo está de volta, através da mente inspiradora do chileno Luis Sepúlveda. Principalmente numa época em que crianças bananas, ou bruxas, ou semi-deusas, escolhidas misteriosamente para cumprir missões de salvar a humanidade, dominam as prateleiras das livrarias.

História de Mix, Max e Mex se passa em Munique, na Alemanha. Em um apartamento com vista para a Igreja das Mulheres, um rapaz (Max), um gato (Mix) e um rato (Mex) dividem seus sonhos, seus medos, seus anseios, suas angústias e suas alegrias em situações rotineiras. Juntos, os três vivem uma cúmplice amizade que passa longe de servir de modelo para histórias de super-heróis salvando o planeta Terra.

As torres abobadadas da Igreja das Mulheres, mais conhecida por Frauenkirche, pode ser vista de todos os lugares de Munique, na Alemanha

As torres abobadadas da Igreja das Mulheres, mais conhecida por Frauenkirche, pode ser vista de todos os lugares de Munique, na Alemanha (foto: picmasta/Flickr/creative commons/by-nc-sa)

Os três personagens vivenciam um companheirismo mais simples, mais comum, mais bonito. Seria uma história real (de certa maneira, é, já que o livro é inspirado em uma história real), se não fosse a improvável amizade entre um gato e um rato.

Por que seus filhos devem ler esse livro?

Além da história inspiradora de Spúlveda, o livro ainda traz dicas de outras obras importantes, que têm essa característica de contos do século 20. Entre eles, os interessantíssimos Caninos Brancos (Jack London), O Último dos Moicanos (Fenimore Cooper), A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia (Selma Lagerlöf), Vinte mil Léguas Submarinas (Júlio Verne).

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História de Mix, Max e Mex
Indicado para crianças a partir de 10 anos
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Autor: Luis Spúlveda
Ilustradora: Noemí Villamuza
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 63

“Eugênia e os Robôs” é uma história meio nerd que fala sobre… Humanos

Em suas histórias mais famosas, José Saramago ❤ utiliza um recurso simples e eficaz: a partir de uma suposição, ele desenvolve uma trama que capta o leitor até a última linha do emaranhado de frases sem pontos, ansioso para entender como seria se todo mundo ficasse cego, ou todo mundo votasse em branco.

A escritora e ilustradora Janaina Tokitaka usou do mesmo recurso, do E SE, para criar a história de Eugênia e os Robôs: e se todo mundo virasse robô de repente? A partir dessa suposição, a história desenvolve-se abordando as diferenças entre as pessoas, o sentido do eu, a tolerância social.

O livro tem uma menina como personagem principal, mas não é mais uma dessas garotas-clichês-vazias de livros infantis. A tímida e antissocial Eugênia é inteligente e adora tecnologia. Sem amigos na escola e sem pais ideais (que criança no mundo acredita que seus pais são os melhores, gente?), transforma seu quarto high-tech em um laboratório de robótica.

Ela curte tanto a ideia de criar robôs para brincar que decide transformar cada um dos seres vivos de sua cidade em máquinas. A partir daí, tudo começa a sair do jeitinho que ela queria. E a partir daí, a personagem principal, inteligente e tímida, transforma-se em anti-herói.

Eugênia começa a perceber que conviver com as diferenças é menos tedioso do que viver com gente, ou melhor, robôs, que agem exatamente como a gente quer. Em tempos de discussões políticas vazias e boçais que se parecem brigas de torcidas organizadas, o livro é ideal.

O livro tem trailer:

E tem capa, também:

Eugenia-e-os-robos-capa-livroEugênia e os Robôs
Indicado para crianças a partir de 9 anos
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Escritora e ilustradora: Janaina Tokitaka
Editora: Rocco
Páginas: 94

“As Aventuras de Glauber & Hilda”: um dos livros mais geniais de 2015

Prepare-se para conhecer um dos melhores lançamentos na literatura infantil nacional dos últimos tempos: o livro As Aventuras de Glauber & Hilda, escrito pela jornalista Índigo e ilustrado por Caco Galhardo, é simplesmente genial.

Ele conta a história de um casal inusitado: Hilda é esperta, prática, despojada, valente. Glauber é sonhador, poético, pacifista, tranquilo. À primeira vista, nem parece que é livro para criança. Mas é sim. Hilda é uma pulga, e Glauber é um ácaro.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Juntos até que a morte os separe, o casal passa por perrengues dignos apenas de seres da última escala da pirâmide alimentar: os parasitas. O livro começa com os dois tentando fazer sucesso num circo decadente. Assim que a situação vai complicando para o lado deles, Glauber e Hilda dão um jeito de escapar. Sempre em busca da felicidade – ou, pelo menos, de um lar.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Os dois tentam morar nos pelos da Monga, a mulher gorila; em um cão de rua que só tem três patas; numa pomba barulhenta; no cabelo de um surfista e até nas barbas do Profeta.

É hilário. 😀
Capa do livro As Aventuras de Glauber & Hilda
As Aventuras de Glauber & Hilda
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Indicado para crianças a partir de 8 anos
Autora: Índigo
Ilustrador: Caco Galhardo
Páginas: 47
Editora: Companhia das Letrinhas

“O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, é a bíblia da infância

Em casa de cristão, tem Bíblia. Em casa de muçulmano, há o Alcorão. Em casa de judeu, a Torá. E em casa que tem criança, há sempre um exemplar de O Pequeno Príncipe.

Ou pelo menos deveria haver, de acordo com as estatísticas. O Pequeno Príncipe é o livro infanto-juvenil mais vendido de todos os tempos na história. Está sempre no top 10. É difícil sair dali.

Mas o que faz desse livro ser uma referência em literatura para crianças? A pergunta parece até um sacrilégio. É como perguntar por que a Bíblia é referência para o cristão, ou por que o Alcorão é referência para o muçulmano.

Com toda a sensibilidade que um ser humano deveria ter para conversar com uma criança, Antoine de Saint-Exupéry escreveu uma espécie de livro de filosofia para todas as idades.

Ele começa com um relato de um desenho de uma cobra que engoliu um elefante. Nenhum adulto compreende o desenho, porque a cobra ficou parecida com um chapéu. Mas o elefante está ali sim. Desenhar coisas megacriativas, brincar de faz-de-conta, achar graça em algo que não faz sentido para os adultos são umas das grandes “frustrações” da infância. De um simples desenho “mal feito”, a gente pode virar a chavinha da filosofia e pensar em grandes questões da humanidade, como existência, relacionamentos, e principalmente, a infância.

A história do Pequeno Príncipe de cabelos dourados é contada por um aviador que se perde no deserto da África. Durante os dias em que convivem no meio da areia silenciosa, o príncipe relata as seis visitas que fez a outros planetas antes de chegar à Terra. Conheceu um rei, um vaidoso, um homem sério, um beberrão, um acendedor de lampiões e um geógrafo. Depois de muita conversa filosófica (onde em praticamente cada página há uma frase de efeito, como “é bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros”), ele viaja para a Terra e conhece a sábia raposa.

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E dá-lhe mais frases geniais. É da boca da raposa que sai a famosa “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – praticamente um mantra repetido incessantemente aqui pelos lados ocidentais.

A melancolia intrínseca ao texto também tem um significado: não importa se você é criança, adulto, humano, raposa, rei ou flor, os sentimentos sempre farão parte da nossa existência. Ou, usando as palavras de Exupéry, “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. ❤️

Ler o livro enquanto a gente é criança é identificar-se com as questões da infância que a história levanta. Ler o livro quanto já somos adultos é mergulhar no nosso próprio ego, indo direto ao encontro da nossa sensível, criativa, singela e há muito tempo esquecida criança interior. Parece misticismo, quase religião. Mas que O Pequeno Príncipe é a Bíblia (ou o Alcorão ou a Torá) da infância, eu tenho certeza.

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O Pequeno Príncipe
Indicado para crianças de todas as idades
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Autor e ilustrador: Antoine de Saint-Exupéry
Tradutor: Dom Marcos Barbosa
Editora: Agir
Páginas: 94

Saiba mais sobre “Breve História de um Pequeno Amor”, livro vencedor do Jabuti

É raro um livro infantil conquistar o prêmio máximo do Jabuti – o mais importante da literatura brasileira. Breve História de um Pequeno Amor, de Marina Colasanti, foi premiado como livro de ficção do ano de 2014. O reconhecimento não veio só agora. O livro já tinha levado o selo “Altamente Recomendável – Categoria Criança” e o prêmio “Criança Hors-Concours” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em maio de 2014.

A breve história do amorico de Marina carrega, em páginas com poucas frases, fontes grandes e ilustrações simples, toda a sensibilidade que pode existir no ser humano. Fala sobre o amor que vai se desenvolvendo entre a escritora e um filhote de pomba desamparado.

A história é real – sim, Marina criou um pombo e apegou-se à ele como um filho – e sim, ela sentiu ciúme de mãe quando o pombo arrumou uma namorada e preferia passar mais tempo com ela do que com a escritora. E justamente por ser real que o livro não tem crianças. Apesar de singela, a breve história de um pequeno amor é densa como um sentimento.

Mas peraí: esse é mesmo um livro para crianças? Sim! Quem disse que criança não sente amor ou ciúme? Quem disse que livro de criança não pode ter criança? É porque a escritora sabe que uma criança é também ser humano que ela produz boa literatura para elas. Pensar que criança não sabe discutir, interpretar e analisar, é escrever de um jeito simplista – uma maneira de entrar num ciclo de literatura ruim e subestimar leitores. Talvez uma criança ainda não seja capaz de sentir o ciúme que as mães sentem. Mas, escrever livros com o intuito da criança se identificar com a obra pode ser outro erro. Afinal, quando a gente lê García Marquez ou Saramago, nem sempre nos identificamos com os personagens.

Mais sobre o livro

Com 45 páginas e um folheto com perguntas de interpretação de texto, o livro foi lançado pela editora FTD, uma das principais produtoras de livros didáticos no Brasil.

Tudo começa com uma infiltração no teto do apartamento. Para corrigir, seria preciso trocar as telhas. Debaixo do telhado, havia um ninho de pombos. A mãe, assustada com a reforma, voou para longe, deixando suas duas crias à mercê do destino.

Comovida, a escritora pegou os dois filhotes para criar. Dias depois, um deles morre e sobra outro, que vai crescendo e ficando forte até o ponto de ganhar um nome: Tom, em lembrança de Tom Hanks, protagonista do filme “Náufrago”.

Os dois começam uma relação de mãe e filho. Vários episódios cotidianos são descritos até o dia em que Tom decide “casar-se” com a namorada e procura outro lugar para morar. Parece um episódio, um pedaço de história maior. Uma crônica singela. E essa foi a intenção da escritora: no fim do livro, ela conta que gosta de arrumar histórias na fila do ônibus, na feira, na praia, no elevador ou na natureza. O mundo como ele é. Simples e complexo ao mesmo tempo.

Quem é Marina Colasanti

Nascida na Eritreia, África, em 1937, Marina passou a infância na Itália e, na adolescência, veio morar em um palacete no Rio de Janeiro. Tentou ser artista plástica, mas se descobriu escritora quando começou “pintar” palavras. De vez em quando, ela escreve para crianças. Mas é como se escrevesse para pessoas. Seus livros podem ser lidos por todas as idades – inclusive os contos de fadas, em que ela sempre insere elementos questionadores sobre o consumismo, a inveja, o egoísmo, amizade, as relações familiares… Adulto demais? Não. Humano demais.

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Breve História de Um Pequeno Amor
Autora: Marina Colasanti
Ilustradora: Rebeca Luciani
Páginas: 45
Editora: FTD

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Livro “O Muro” comenta sobre a Guerra Fria para crianças

O dia em que o mundo parou para relembrar a queda do Muro de Berlim não precisa passar em branco para quem não viveu naquela época e presenciou a euforia mundial em derrubar uma das mais representativas fronteiras da história.

O livro O Muro – Crescendo atrás da Cortina de Ferro, do escritor e ilustrador Peter Sís, cumpre o papel de mostrar aos pequenos leitores como era a vida nos tempos em que a Alemanha – e o mundo – se dividiam entre leste e oeste, oriente e ocidente, capitalismo e comunismo.

Sís nasceu em Brno, na República Checa, em maio de 1949. Ainda criança, ele vivenciou as divisões, sem entender muito bem o que estava acontecendo, e passou por todas as proibições que uma criança de hoje nem imagina que poderiam existir: não sabia que ele poderia comprar coisas se estivesse do outro lado do muro. Nem que poderia ouvir música “ocidental”. Ou ler as notícias do lado de lá. Beber refrigerante. Aliás, para ele, seu lado do muro era o seu mundo.

Na adolescência, Sís passou a questionar sua vida. E a entender em que tipo de situação estava imerso. Descobriu que existiam coisas que o comunismo não compra, como a calça jeans, a Coca-Cola e os Beatles. Mas não podia falar sobre isso. Em 2007 ele pôde. Lançou um livro lindão, com belas ilustrações (que só chegou no Brasil em 2012, pela Companhia das Letrinhas).

Parece denso demais para uma criança? Sim, parece. Mas pode confiar: nossas crianças são mais densas do que a gente imagina. 😉

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O Muro – Crescendo atrás da Cortina de Ferro
Indicado para crianças a partir de 9 anos
Autor e ilustrador: Peter Sís
Tradutor: Erico Assis
Editora: Companhia das Letrinhas
Compre esse livro na Livraria Cultura e ajude o blog a se manter!

Halloween: livros sobre monstros, terror e medo para crianças

Sim, o Dia das Bruxas é uma data que tem muito mais a ver com a cultura dos Estados Unidos do que com a brasileira. Mas uma coisa é certa: criança que é criança sente medo e adora histórias fantásticas. Em qualquer parte do mundo.

Para celebrar a imaginação dos nossos pequenos, aí vão três sugestões de livros com participações especiais de seres ~assustadores~ para divertir as crianças:

O Medo que Mora Embaixo da Cama

O livro de Mariza Tavares trata de um assunto supercomum para crianças pequenas: a imaginação que, à noite, se transforma em medo. Objetos do cotidiano podem virar monstros assustadores no apagar das luzes. Na história, um menino derruba todos os seus temores desconstruindo os monstros e revelando, com uma lanterna, que os seres fantásticos não passam de meias com chulé, ursos de pelúcia, carrinhos de brinquedo…

Com rimas divertidas, o livro é ideal para ler para crianças em noites em que elas são acometidas por medos comuns das mentes mais criativas – principalmente as mais novinhas. 🙂

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O Coiso Estranho

A linguagem rebuscada de O Coiso Estranho, de Blandina Franco, apresenta um monstro espiclondrífico, que na verdade não passa de um chafalhão que gosta de ir a pangalhadas.

Bom para ler em voz alta, tentando não errar as palavras difíceis. 🙂 No fim do livro, todo ilustrado com grãos de areia colorida por José Carlos Lollo, há um dicionário que explica todas as palavras malucas usadas para apresentar o Coiso.

Não chega a ser um livro de terror – a não ser que a criança tenha medo de palavras grandes e esquisitas! (Sim, essa fobia existe. O nome dela é hipopotomonstrosesquipedaliofobia). :p

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Vampiro – Uma Tenebrosa Noite de Sustos, Doces e Travessuras

O terceiro livro da série Meus Queridos Monstrinhos, escrita por André Vianco, conta como o personagem principal, o menino Pedro, se mete em enrascadas por causa de sua paixão secreta pela Bia.

Na noite de 31 de outubro, Bia pede a ajuda de Pedro para resolverem o problema de Eric Depiro, um amigo incomum que vem sofrendo de uma terrível dor de dente. A história é bem leve e tem tudo a ver com o universo das crianças de hoje, principalmente as mais grandinhas, com mais de 9 anos.

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