Atrações imperdíveis para crianças na Bienal do Livro de São Paulo

Começa nesta sexta (22) a 23ª edição da Bienal do Livro de São Paulo. O maior evento de literatura da América Latina ocorre no Pavilhão de Exposições do Anhembi até o dia 31 de agosto e traz, em 2014, mais de 400 atividades para os amantes de livros — dentre elas, 100 são destinadas às crianças.

As atividades para o público infantil ficam concentradas no Espaço Imaginário — uma área de 650 metros quadrados que vai receber uma bancada para a galera desenhar e criar, uma espécie de mirante para conversas e encontros, um espaço para exposições e até uma floresta.

Selecionei sete atividades que vão rolar no Espaço Imaginário nesta Bienal do Livro. Faça as suas escolhas e leve as crianças!

1. Floresta de Narrativas
São 21 árvores cenográficas que formam uma espécie de bosque artificial interativo: cada tronco possui um fone de ouvido, e os visitantes podem escutar narrações diversas, como se estivessem ouvindo as árvores. Dentro dessa floresta, há ainda tablets, app-books e um olho mágico para ver cenas de filmes inspirados em livros. Além disso, árvores de livros estarão dando frutos: livros, gibis e outros materiais de leitura ficarão disponíveis para a leitura silenciosa dos pequenos.

2. Pedro Bandeira
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O autor brasileiro mais querido das crianças e adolescentes (e adultos) na atualidade, Pedro Bandeira tem mais de 20 milhões de livros vendidos. Nesse encontro com crianças (e adolescentes e adultos), ele fala sobre os seus personagens mais famosos, Os Karas, e conta histórias sobre a vida de escritor.
26 de agosto, terça-feira, às 15 horas

3. Daniel Munduruku
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O indígena mais influente no mundo da literatura infantil brasileira estará na Bienal para falar não apenas sobre os seus livros, mas sobre a cultura indígena. Para crianças que vivem em São Paulo, podem ocorrer descobertas incríveis sobre o mundo desses povos que vivem não em florestas de narrativas, mas em florestas de verdade.
27 de agosto, quarta-feira, às 17 horas
28 de agosto, quinta-feira, às 13 horas

4. Ilan Brenman
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Para mim, ele é um dos melhores autores infantis do Brasil – aguarde, em breve farei um post só sobre ele. Vale a pena ir não só levar as crianças, mas ir junto. Pode ser que role papo de adulto, também: Brenman é colunista da revista Crescer e é a voz do boletim Conversa de Pai, na rádio CBN.
29 de agosto, sexta-feira, às 17 horas

5. João Montanaro
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Ele não tem nem 18 anos e é uma das figuronas das charges no Brasil. Montanaro tem um talento nato e já produziu charges e tirinhas para a Folha de S.Paulo e até para a revista Recreio (onde trabalhei).
24 de agosto, domingo, às 14 horas
30 de agosto, sábado, às 14 horas

6. Luke Ross
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Atenção, amantes de HQs da Marvel e DC Comics: Luciano Queirós (o Luke) já trabalhou no “Espetacular Homem-Aranha” e no “Jonah Hex”. O brasileiro é ilustrador de quadrinhos desde a década de 1990 e em 2008 tornou-se colaborador exclusivo dos gibis da Marvel.

7. Ateliê Bolonha
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Neste espaço, ilustradores de livros infantis mostrarão suas técnicas de pintura ao vivo. Crianças artistas podem se interessar bastante! Veja os meus destaques:
Laurent Cardon – o francês mora no Brasil desde 1995 e já ilustrou Ana Maria Machado: 23 de agosto, sábado, às 12 horas; e 31 de agosto, domingo, às 11 horas.
Maria Eugenia – ela tem um traço delicado e já ganhou Jabuti: 23 de agosto, sábado, às 14 horas.
Lúcia Hiratsuka – cheia de influências orientais, sua técnica mais conhecida de pintura é a sumiê, originária da China: 24 de agosto, domingo, às 12 horas; e 28 de agosto, quinta, às 12 horas.

Extra: Mauricio de Sousa

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Sim, o pai da Mônica estará na Bienal. Entre as atividades, estão programadas um bate-papo sobre os 50 anos da Turma da Mônica e um monte de sessões de autógrafos. Ele não aparece no Espaço Imaginário, mas em outros lugares da Bienal. Siga o Mauricio:

  • Lançamento do dicionário “O Aurélio com a Turma da Mônica: o Mundo das Palavras em Cores”, com sessão de autógrafos com Mauricio de Sousa
    Estande Abrelivros (C300) | 25 de agosto, segunda-feira, às 13 horas
  • Sessão de autógrafos da coleção Biblioteca da Turma com Mauricio de Sousa
    Estande Abrelivros (C300) | 30 de agosto, sábado, às 10 horas
  • Releituras estéticas nos quadrinhos: roteiro e personagem em transformação – um bate-papo entre Mauricio e seus parceiros que ilustram a Turma da Mônica
    Salão de Ideias (L298, Alameda L) | 30 de agosto, sábado, às 14 horas
  • Os quadrinhos na formação de leitores – 50 anos da Turma da Mônica
    Arena Cultural (H 201, Alameda H) | 30 de agosto, sábado, às 18 horas

Música, dança, circo, teatro e cinema
Foi mergulhar nos livros, mas quer mais? Fique de olho na programação de cinema, teatro e música. Tem um montão de coisas para crianças. Para saber mais, clique aqui.

Como ir à Bienal do Livro?

A 23ª Bienal do Livro em São Paulo (SP) ocorre no Pavilhão de Exposições do Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana):


O evento ocorre de 22 a 31 de agosto. De segunda a sexta, abre das 9h às 22h. Aos sábados e domingos, funciona das 10h às 22h. No dia 31, a Bienal acaba às 21h.
Ingressos:
– Segunda a quinta – R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia).
– Sextas, sábados e domingos – R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia).

Míriam Leitão não fala só de economia: também escreve sobre meninas e passarinhos

Vem lá dos anos 1980 as minhas primeiras lembranças da jornalista Míriam Leitão: uma repórter séria, muito séria, que sempre falou na TV sobre um dos temas mais cabeludos do universo (principalmente naquela época de inflações exorbitantes): economia.

Recentemente ela esteve envolvida em dois episódios adultos demais para um blog sobre literatura infantil. Um sobre seu verbete ser alterado no Wikipedia por um IP de computador do Palácio do Planalto e outro sobre seu depoimento da época em que foi presa e torturada por militares durante a ditadura no Brasil.

E não foi pequena a surpresa quando descobri que a mesma Míriam, tão séria, havia lançado um livro infantil. Quer dizer: dois livros infantis. O mais recente, A Menina de Nome Enfeitado, acaba de sair pela editora Rocco.

Míriam Leitão também tem coração!

Míriam Leitão também tem coração!

No livro, a menina Nathália está aprendendo a ler e fica intrigada com a função da letra H. Principalmente porque, no nome dela, a consoante só serve para enfeitar. Com ajuda de sua tia Nininha, Nathália descobre um mundo de possibilidades que a 8ª letra do alfabeto oferece.

Com ilustrações fofas de Alexandre Rampazo, A Menina de Nome Enfeitado é perfeito para crianças em fase de alfabetização. Quase um livro didático 😉

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A Menina de Nome Enfeitado
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 5 anos
Ilustrações: Alexandre Rampazo
Páginas: 24
Editora: Rocco

Já o livro de estreia da jornalista na literatura infantil, A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos, publicado em 2013, tem mais jeito de Míriam Leitão.

Quando eu conheço uma pessoa, eu tenho a estranha mania de ler os textos escritos por ela imaginando a voz dessa pessoa. É, pois é. Eu li o livro dos passarinhos ouvindo a voz da Míriam. Principalmente no primeiro parágrafo:

“A chuva não parava. Isso preocupava a passarinhada. O passarinho novo, que havia nascido no ninho, bem perto da janela da casa da Fazenda, estava em perigo. Os pais Coleirinhos tinham decidido fazer o ninho naquela árvore. Foi um erro. A árvore era bonita, florida, mas era pequena. Na verdade, era um arbusto. Arbustos não crescem muito. Aquele seria sempre mais ou menos pequeno.”

É quase uma figura de linguagem sobre a história da economia brasileira :-p Brincadeira. A história é lindinha, de uma sensibilidade que só avós (como ela é, e como a minha avó, que ama passarinhos, também é) podem repassar. Fala justamente sobre como é estressante a vida dos passarinhos pequenos – mesmo para os que vivem soltos em uma fazenda repleta de mata nativa.

O texto tem nuances que revelam aquelas sabedorias de avó, intercaladas pela personalidade jornalística de Míriam. Ela menciona tanto o pássaro Fogo-Apagou (que, OPA!, a minha avó também conhece e adora escutar o seu canto, tão raro e tão melancólico), como também menciona termos que sempre estão em suas análises:

“Como fazer para aumentar a mata?
— Isso está virando um grave problema econômico — disse o Sabiá, enchendo o ar de seu peito laranja.
— Problema habitacional: não tem casa para todo mundo — corrigiu o Bem-te-vi.”

Usando metáforas do que acontece nos quintais e nas fazendas brasileiras, a primeira história infantil de Míriam não só expõe os problemas dos passarinhos, como a preocupação que está nos corações de crianças de todas as idades: o nosso grande problema com o meio ambiente. Com pitadas de sentimentos de justiça, de direitos igualitários e vida em sociedade, escritos com propriedade de quem já lutou contra a ditadura militar (como a minha avó também lutou).

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A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 8 anos
Ilustrações: Rubens Matuck
Páginas: 55
Editora: Rocco

Diário de um Banana: por que seus filhos (e você) devem ler essa série de livros

Quem me acompanha desde a época da Recreio sabe que eu sou uma leitora assídua do Diário de um Banana. Pode parecer que estou entrando na onda, seguindo a moda, mas o Diário de um Banana é uma das séries de livros infantis mais legais do momento.

Diferente de personagens sem nome de livros que surgem às dezenas a cada mês e tratam os sentimentos da criança de uma forma rasa, o Diário de um Banana apresenta um personagem que não é perfeito – é, acima de tudo, humano.

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Quando a gente cresce, esquece um pouco como funciona o pensamento de uma criança. É por isso que Greg Heffley, o personagem do livro, faz tanto sucesso: ele pensa como uma criança. Ele não é politicamente incorreto, ele não é santo, ele tem alguns sucessos, mas as falhas também estão bem evidentes em sua vida. Enfim, ele sente todo o drama da infância de uma maneira leve, sutil, que só quem sabe como uma criança pensa, entende. E o melhor: é engraçado demais.

Eu, que já estou na fase adulta há pelo menos 10 anos, ainda me identifico com o Greg. Em um dos livros, por exemplo, ele conta que é míope (como eu). E faz uma espécie de tratado sobre como ele se comportaria se vivesse em outra época – como na idade das cavernas – quando os óculos ainda não tinham sido inventados. E não é que eu, como míope, sempre pensei nisso? Viver numa época sem óculos e enxergando o mundo todo sem formas, borrado, deve ser um desafio e tanto.

Pois vamos ao que interessa: a V&R acaba de lançar o 8º livro da série escrita por Jeff Kinney. Em Diário de um Banana: Maré de Azar, Greg escreve em seu diário sobre solidão. Mas não de um jeito chato: depois de ser abandonado pelo seu melhor amigo (que ele sempre desprezou, olha só), Greg fica sozinho na hora do recreio da escola, na hora de ir para casa e na hora de brincar.

Para suprir a falta de companhia, ele se apega à Bola 8 Mágica, um brinquedo que responde a todas as suas perguntas com, basicamente, três respostas: sim, não e talvez. E a vida dele passa a girar em torno das respostas que a Bola dá – você pode até não lembrar, mas com certeza já brincou dessas coisas, mesmo no fundo do inconsciente, e mesmo sem uma Bola 8 Mágica por perto!

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Diário de um Banana 8: Maré de Azar
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 9 anos
Autor: Jeff Kinney
Páginas: 224
Editora: V&R