Cinco livros que questionam o padrão “princesa cor-de-rosa” em garotas

Quem tem meninas em casa conhece as preocupações sobre o bombardeamento cor-de-rosa que existe na vida delas. Tudo é motivo para elas acreditarem, com toda a certeza, de que são princesas e merecem viver um sonho, um conto de fadas, uma história perfeita.

Essa mensagem está nos materiais da escola, na comida, nos filmes, nos móveis do quarto, nas roupas, nos acessórios, nas maquiagens, e, claro, nos livros.

Quer dizer: alguns livros. Há outros que são mais pé no chão e criticam o sexismo e princesização (inventei essa palavra) das crianças. É sobre isso que esse post fala. E aí vão dicas de cinco livros que criticam os mundos perfeitos das princesas e vão fazer qualquer menina ~encantada~ questionar e reivindicar o papel das garotas (inclusive o dela) no mundo.

Até a Encantada ficou empolgada

Até a Encantada ficou empolgada

1. Olivia Não Quer ser Princesa

A porquinha rebelde criada pelo ilustrador Ian Falconer (que virou um desenho animado melhor que a Peppa) não quer, de jeito nenhum, ser princesa. É porque TODO MUNDO que ela conhece quer ser princesa (inclusive alguns meninos).

Olivia se imagina como uma pessoa mais útil: uma enfermeira para ajudar os doentes, uma supermãe que adota órfãos do mundo inteiro ou uma repórter que descobre as falcatruas dos políticos. Agora, sim, estamos falando em nobreza!

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Olivia Não Quer ser Princesa
Autor: Ian Falconer (tradução Silvana Salerno)
Páginas: 34
Editora: Globinho

2. Por que só as princesas se dão bem?

Em sua estreia como escritora infantil, a idolatrada pelas adolescentes Thalita Rebouças vem com uma história para abalar as estruturas do castelo. No livro, a curiosa e despojada Bia (inspirada na afilhada da escritora) vive um dia de princesa.

De uma hora para outra, a menina perde os cachos do cabelo (princesas têm cabelo liso de chapinha); o café da manhã (sem leite com chocolate, porque engorda); a escola (princesas estudam com professora particular); as brincadeiras (princesas não têm tempo para brincar. É preciso ir a eventos, desfiles, entrevistas, reuniões, inaugurações…); e perde até a mãe (para quê mãe, se agora ela tem um príncipe – que, a propósito, está viajando).

O vestido aperta, o sapato machuca, os paparazzi a cercam, e ela não pode nem soltar pum ou fazer xixi e cocô. Fala sério :-P, desde quando princesa come de boca aberta?

Depois de viver esse dia atarefado, Bia descobre que, melhor do que a vida de princesa, o importante é ser feliz do jeito que a gente é.

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Por que só as princesas se dão bem?
Autora: Thalita Rebouças
Ilustrações: Fabiana Salomão
Páginas: 36
Editora: Rocco

3. A Ervilha que não era Torta… Mas deixou uma princesa assim

Nesse livro (já falei sobre ele aqui), a velha história da Princesa e a Ervilha começa com aquela narrativa clássica de Hans Christian Andersen: em uma noite de chuva, uma princesa desabrigada bate na porta do castelo, em busca de uma cobertura para as suas tormentas. A rainha do castelo a recebe, mesmo duvidando da história de que ela seria uma princesa.

Para tirar a prova, a rainha coloca a princesa para dormir em cima de uma pilha de colchões macios. Embaixo do último, enfiou uma ervilha. No dia seguinte, ao ser perguntada pela rainha se havia dormido bem, a princesa responde que não – algo embaixo dos colchões incomodou o sono da coitada durante toda a noite.

Taí a prova que a rainha tanto queria: por ser tão frágil e sensível, a nobre mãe de um príncipe constatou que a garota era sim, uma princesa. E permitiu que ela se casasse com o seu filhinho.

É a partir daí que a história adaptada por Maria Amália Camargo toma outro rumo: o príncipe é um rapaz mal-educado, metido e, consequentemente, feioso. E a princesa não quer se casar com ele – ela agradece a hospitalidade bizarra e decide fazer o que quiser da sua vida. ❤

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A Ervilha que não era Torta… Mas deixou uma princesa assim
Autora: Maria Amália Camargo
Ilustrações: Ionit Zilberman
Páginas: 32
Editora: Caramelo

4. Uma Chapeuzinho Vermelho

Ok, Chapeuzinho Vermelho não é bem uma princesa: é uma menina até corajosa, que encarou o lobo mau (com uma certa inocência), mas só conseguiu se livrar das maldades do canino quando foi salva pelo caçador.

O livro quase sem palavras e com aparência de ter sido ilustrado por uma criança de dois anos mostra uma Chapeuzinho pra lá de esperta. Chega até a ser meio malvada. É que ela não sente muita compaixão pelo lobo mau. O final, inteligente demais, é surpreendente até para os adultos. Recomendo para todas as idades. 🙂

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Uma Chapeuzinho Vermelho
Autora e ilustradora: Marjolaine Leray
Páginas: 48
Editora: Companhia das Letrinhas

5. Branca de Neve e as Sete Versões

O livro de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta faz parte de uma série lançada pela editora Objetiva que recria os contos infantis clássicos. Ele tem a protagonista mais bobinha de todas as histórias citadas neste post, mas não deixa de ser interessante: o leitor pode escolher as ações da Branca de Neve.

Dependendo das escolhas, o final muda completamente: a garota pode cair num sono profundo com os anões e nunca mais acordar, a madrasta pode ser enganada pelo espelho até o fim da vida dela (e nunca perseguir Branca…). Boa maneira de pensar que nossas ações são as que definem a nossa história.

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Branca de Neve e as Sete Versões
Autor: Marcus Aurelius Pimenta e José Roberto Torero
Ilustradora: Bruna Assis Brasil
Páginas: 52
Editora: Objetiva/Alfaguara