Halloween: livros sobre monstros, terror e medo para crianças

Sim, o Dia das Bruxas é uma data que tem muito mais a ver com a cultura dos Estados Unidos do que com a brasileira. Mas uma coisa é certa: criança que é criança sente medo e adora histórias fantásticas. Em qualquer parte do mundo.

Para celebrar a imaginação dos nossos pequenos, aí vão três sugestões de livros com participações especiais de seres ~assustadores~ para divertir as crianças:

O Medo que Mora Embaixo da Cama

O livro de Mariza Tavares trata de um assunto supercomum para crianças pequenas: a imaginação que, à noite, se transforma em medo. Objetos do cotidiano podem virar monstros assustadores no apagar das luzes. Na história, um menino derruba todos os seus temores desconstruindo os monstros e revelando, com uma lanterna, que os seres fantásticos não passam de meias com chulé, ursos de pelúcia, carrinhos de brinquedo…

Com rimas divertidas, o livro é ideal para ler para crianças em noites em que elas são acometidas por medos comuns das mentes mais criativas – principalmente as mais novinhas. 🙂

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O Coiso Estranho

A linguagem rebuscada de O Coiso Estranho, de Blandina Franco, apresenta um monstro espiclondrífico, que na verdade não passa de um chafalhão que gosta de ir a pangalhadas.

Bom para ler em voz alta, tentando não errar as palavras difíceis. 🙂 No fim do livro, todo ilustrado com grãos de areia colorida por José Carlos Lollo, há um dicionário que explica todas as palavras malucas usadas para apresentar o Coiso.

Não chega a ser um livro de terror – a não ser que a criança tenha medo de palavras grandes e esquisitas! (Sim, essa fobia existe. O nome dela é hipopotomonstrosesquipedaliofobia). :p

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Vampiro – Uma Tenebrosa Noite de Sustos, Doces e Travessuras

O terceiro livro da série Meus Queridos Monstrinhos, escrita por André Vianco, conta como o personagem principal, o menino Pedro, se mete em enrascadas por causa de sua paixão secreta pela Bia.

Na noite de 31 de outubro, Bia pede a ajuda de Pedro para resolverem o problema de Eric Depiro, um amigo incomum que vem sofrendo de uma terrível dor de dente. A história é bem leve e tem tudo a ver com o universo das crianças de hoje, principalmente as mais grandinhas, com mais de 9 anos.

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Três livros para crianças em fase de alfabetização

Já é quase fim de ano escolar e as crianças mais novinhas estão no ápice da alfabetização. Para aproveitar o momento, eis aqui minhas três sugestões para meninos e meninas que já aprenderam o alfabeto e querem se encantar ainda mais com as palavras:

1. Socorram-me em Marrocos

Oi, rato otário. Não, não estou te xingando. Este é um dos 12 palíndromos divertidos que estão no livro Socorram-me em Marrocos (o título é uma versão enxuta do palíndromo mais famoso da língua portuguesa: “socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”). O poeminha, feito de um verso só, brinca com letras espelhadas: se você ler a frase de trás para frente, ela vai dizer a mesma coisa.

As frases foram criadas por gente criativa como Laerte, Gregorio Dudivier, Marina Wisnick, Paulo Werneck, Sofia Mariutti e Chico Mattoso. As ilustrações a lápis de Andrés Sandoval dão uma cara de caderno de criança ao livro, que ainda foi impresso em forma de brochura. Ou seja, conversa de igual para igual, numa tentativa de estimular a criatividade dos pequenos em produzir seus próprios palíndromos.

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2. Alfabarte

O livro francês traduzido para o português vem com um desafio intrigante: descobrir as letras escondidas em 26 quadros de artistas ocidentais famosos que presentearam o mundo com suas pinturas por sete séculos, como Uccello, Bosch, Picasso, Mondrian, Matisse, Manet e Van Gogh.

Consegue encontrar a letra A?

Consegue encontrar a letra A?

Além de aguçar os sentidos para encontrar as letras escondidas e aprender a ler com mais facilidade, Alfabarte é uma boa iniciação para a história da arte. No fim do livro, há boxes que explicam um pouco mais sobre o contexto em que as obras foram criadas, e as curiosidades por trás de cada pintura. Não pense que é chato: aqui, o que mais importa é apreciar os detalhes e se deixar levar pelas formas e cores.

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3. O Bicho Alfabeto

Este é para crianças curiosas em saber até onde as construções do alfabeto podem ir. O livro do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989) é um exemplar do que a língua portuguesa e os haicais (um poema japonês com três versos e uma métrica bem fechada) são capazes. No início do livro, o prefácio escrito por Arnaldo Antunes dá exemplos: “Como não sentir a lisura da lesma no liz e les do verso ‘feliz a lesma’? Ou não identificar a palavra letras na palavra estrelas – uma chuva, que dá na outra, poça?”

Para ilustrar essa brincadeira do Leminski, ninguém melhor do que um gênio das brincadeiras: Ziraldo.

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Qual é o seu livro de infância?

No Dia das Crianças, resolvi fazer um post diferente: desta vez, escrevo sobre o livro que marcou a minha infância e até ajudou a moldar minha personalidade e meus valores pessoais. Sim, livros têm esse poder! (não, não é um livro religioso) :p

O Mágico Desinventor, do mineiro Marco Túlio Costa, foi escrito em 1981 (dois anos antes de eu nascer) e é ficção científica das boas: um mágico de nome esquisito, que mora em uma casa antiga, em uma pracinha arborizada, está preocupado com o rumo que a humanidade escolheu. Construções, implosões, poluições, e outros ões estão provocando desastres não só na natureza, como também nas relações sociais (o livro é mais profundo do que parece, mas continua sendo uma história infantil).

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Ao lado de seu coelho Planador, Hafilazundumzaptbum (o mágico) tem uma ideia brilhante: resolve desinventar as coisas, forçando as pessoas a voltarem a ter uma vida mais conectada com a natureza.

A partir daí, várias invenções humanas começam a sumir. Quando as televisões desaparecem, um grupo de crianças frequentadoras da pracinha começa a suspeitar de que tudo isso seja obra do mágico que mora na casa velha. Só que, antes que resolvam o enigma, as crianças caem numa espécie de armadilha e viajam para o futuro.

Uma parte delas vai parar em um possível mundo pós-guerra atômica. Os humanos sofreram mutações para sobreviverem ao ambiente poluído. Outra parte conhece um futuro em que os avanços da tecnologia saíram do controle e os robôs passaram a escravizar humanos.

Ok, ok, o livro é um exemplar das teorias que surgiram nos anos 70, adaptadas para a linguagem infantil. É até meio hippie. Fala de amor, natureza, sociedade, paz. E continua mais atual do que nunca.

Ilustra maneira

Ilustra maneira

Como O Mágico Desinventor tornou-se meu Livro de Infância

A casa da minha avó sempre foi repleta de livros. Eles estavam não só nas estantes enormes, mas também nos banheiros, nas cabeceiras das camas, em cestas, armários, na cozinha. Tinha (e tem até hoje) livros por todos os lugares.

Estava passando minhas férias escolares na casa dela. E encontrei esse livro escondido em algum armário. A capa rasgada, mas umas ilustrações malucas. Peguei para ler e não larguei mais, até terminar. Li rapidinho, como a gente faz quando lê bestseller. E depois que terminei, devolvi o livro ao “esconderijo” dele. Nunca foi meu. Nunca mais o vi. Mas lembro dele como se tivesse lido agora há pouco.

Depois que me mudei para São Paulo, nessas andanças por sebos intermináveis, reencontrei O Mágico Desinventor. Dessa vez com a capa completa. Nunca tinha visto o desenho inteiro e morria de curiosidade de saber como era. Agora o livro é meu. A foto dele está aí em cima.

E você, tem um Livro de Infância? Espero que sim. Feliz Dia das Crianças!