“As Aventuras de Glauber & Hilda”: um dos livros mais geniais de 2015

Prepare-se para conhecer um dos melhores lançamentos na literatura infantil nacional dos últimos tempos: o livro As Aventuras de Glauber & Hilda, escrito pela jornalista Índigo e ilustrado por Caco Galhardo, é simplesmente genial.

Ele conta a história de um casal inusitado: Hilda é esperta, prática, despojada, valente. Glauber é sonhador, poético, pacifista, tranquilo. À primeira vista, nem parece que é livro para criança. Mas é sim. Hilda é uma pulga, e Glauber é um ácaro.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Juntos até que a morte os separe, o casal passa por perrengues dignos apenas de seres da última escala da pirâmide alimentar: os parasitas. O livro começa com os dois tentando fazer sucesso num circo decadente. Assim que a situação vai complicando para o lado deles, Glauber e Hilda dão um jeito de escapar. Sempre em busca da felicidade – ou, pelo menos, de um lar.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Os dois tentam morar nos pelos da Monga, a mulher gorila; em um cão de rua que só tem três patas; numa pomba barulhenta; no cabelo de um surfista e até nas barbas do Profeta.

É hilário. 😀
Capa do livro As Aventuras de Glauber & Hilda
As Aventuras de Glauber & Hilda
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Indicado para crianças a partir de 8 anos
Autora: Índigo
Ilustrador: Caco Galhardo
Páginas: 47
Editora: Companhia das Letrinhas

“O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, é a bíblia da infância

Em casa de cristão, tem Bíblia. Em casa de muçulmano, há o Alcorão. Em casa de judeu, a Torá. E em casa que tem criança, há sempre um exemplar de O Pequeno Príncipe.

Ou pelo menos deveria haver, de acordo com as estatísticas. O Pequeno Príncipe é o livro infanto-juvenil mais vendido de todos os tempos na história. Está sempre no top 10. É difícil sair dali.

Mas o que faz desse livro ser uma referência em literatura para crianças? A pergunta parece até um sacrilégio. É como perguntar por que a Bíblia é referência para o cristão, ou por que o Alcorão é referência para o muçulmano.

Com toda a sensibilidade que um ser humano deveria ter para conversar com uma criança, Antoine de Saint-Exupéry escreveu uma espécie de livro de filosofia para todas as idades.

Ele começa com um relato de um desenho de uma cobra que engoliu um elefante. Nenhum adulto compreende o desenho, porque a cobra ficou parecida com um chapéu. Mas o elefante está ali sim. Desenhar coisas megacriativas, brincar de faz-de-conta, achar graça em algo que não faz sentido para os adultos são umas das grandes “frustrações” da infância. De um simples desenho “mal feito”, a gente pode virar a chavinha da filosofia e pensar em grandes questões da humanidade, como existência, relacionamentos, e principalmente, a infância.

A história do Pequeno Príncipe de cabelos dourados é contada por um aviador que se perde no deserto da África. Durante os dias em que convivem no meio da areia silenciosa, o príncipe relata as seis visitas que fez a outros planetas antes de chegar à Terra. Conheceu um rei, um vaidoso, um homem sério, um beberrão, um acendedor de lampiões e um geógrafo. Depois de muita conversa filosófica (onde em praticamente cada página há uma frase de efeito, como “é bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros”), ele viaja para a Terra e conhece a sábia raposa.

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E dá-lhe mais frases geniais. É da boca da raposa que sai a famosa “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – praticamente um mantra repetido incessantemente aqui pelos lados ocidentais.

A melancolia intrínseca ao texto também tem um significado: não importa se você é criança, adulto, humano, raposa, rei ou flor, os sentimentos sempre farão parte da nossa existência. Ou, usando as palavras de Exupéry, “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. ❤️

Ler o livro enquanto a gente é criança é identificar-se com as questões da infância que a história levanta. Ler o livro quanto já somos adultos é mergulhar no nosso próprio ego, indo direto ao encontro da nossa sensível, criativa, singela e há muito tempo esquecida criança interior. Parece misticismo, quase religião. Mas que O Pequeno Príncipe é a Bíblia (ou o Alcorão ou a Torá) da infância, eu tenho certeza.

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O Pequeno Príncipe
Indicado para crianças de todas as idades
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Autor e ilustrador: Antoine de Saint-Exupéry
Tradutor: Dom Marcos Barbosa
Editora: Agir
Páginas: 94