“O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, é a bíblia da infância

Em casa de cristão, tem Bíblia. Em casa de muçulmano, há o Alcorão. Em casa de judeu, a Torá. E em casa que tem criança, há sempre um exemplar de O Pequeno Príncipe.

Ou pelo menos deveria haver, de acordo com as estatísticas. O Pequeno Príncipe é o livro infanto-juvenil mais vendido de todos os tempos na história. Está sempre no top 10. É difícil sair dali.

Mas o que faz desse livro ser uma referência em literatura para crianças? A pergunta parece até um sacrilégio. É como perguntar por que a Bíblia é referência para o cristão, ou por que o Alcorão é referência para o muçulmano.

Com toda a sensibilidade que um ser humano deveria ter para conversar com uma criança, Antoine de Saint-Exupéry escreveu uma espécie de livro de filosofia para todas as idades.

Ele começa com um relato de um desenho de uma cobra que engoliu um elefante. Nenhum adulto compreende o desenho, porque a cobra ficou parecida com um chapéu. Mas o elefante está ali sim. Desenhar coisas megacriativas, brincar de faz-de-conta, achar graça em algo que não faz sentido para os adultos são umas das grandes “frustrações” da infância. De um simples desenho “mal feito”, a gente pode virar a chavinha da filosofia e pensar em grandes questões da humanidade, como existência, relacionamentos, e principalmente, a infância.

A história do Pequeno Príncipe de cabelos dourados é contada por um aviador que se perde no deserto da África. Durante os dias em que convivem no meio da areia silenciosa, o príncipe relata as seis visitas que fez a outros planetas antes de chegar à Terra. Conheceu um rei, um vaidoso, um homem sério, um beberrão, um acendedor de lampiões e um geógrafo. Depois de muita conversa filosófica (onde em praticamente cada página há uma frase de efeito, como “é bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros”), ele viaja para a Terra e conhece a sábia raposa.

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E dá-lhe mais frases geniais. É da boca da raposa que sai a famosa “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – praticamente um mantra repetido incessantemente aqui pelos lados ocidentais.

A melancolia intrínseca ao texto também tem um significado: não importa se você é criança, adulto, humano, raposa, rei ou flor, os sentimentos sempre farão parte da nossa existência. Ou, usando as palavras de Exupéry, “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. ❤️

Ler o livro enquanto a gente é criança é identificar-se com as questões da infância que a história levanta. Ler o livro quanto já somos adultos é mergulhar no nosso próprio ego, indo direto ao encontro da nossa sensível, criativa, singela e há muito tempo esquecida criança interior. Parece misticismo, quase religião. Mas que O Pequeno Príncipe é a Bíblia (ou o Alcorão ou a Torá) da infância, eu tenho certeza.

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O Pequeno Príncipe
Indicado para crianças de todas as idades
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Autor e ilustrador: Antoine de Saint-Exupéry
Tradutor: Dom Marcos Barbosa
Editora: Agir
Páginas: 94

Vídeo

Sul-africano “Grande Assim” é escrito em português e xhosa

Toda criança já se pegou pensando em ser bem grande para alcançar coisas que ficam no alto.

No livro Grande Assim, o menino Tshepo não pensa diferente. Mas também não pensa igual a todo mundo.

Ele queria ser grande como um jatobá

Ele queria ser grande como um jatobá

Depois de jogar um adubo fedorento nos pés, se regar com a mangueira e dar dois espirros, Tshepo virou uma árvore grande. E descobriu que existem coisas muito maiores que não podem ser vistas – como a saudade.

O livro é escrito em português e em xhosa, uma das onze línguas oficiais da África do Sul. Ela é bem diferente do que a gente ouve falar por aí: cheia de cliques, parece até uma música.

Clique aqui para ouvir o livro Grande Assim narrado na língua xhosa. Repare nos cliques!

E, aproveitando que a língua parece música, aperte o play abaixo e ouça uma canção que  é conhecida como a música dos cliques:

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Grande Assim – indicado para crianças com idade igual ou superior a 5 anos
Autor: Mhlobo Jadezweni
Ilustrador: Hannah Morris
Editora: Peirópolis
Páginas: 36
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