No Dia dos Avós, leia 3 livros infantis sobre as avós

1. Vó Coruja

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Ah, se todo idoso fosse tratado como são tratados os mais velhos nas aldeias indígenas… Escrito com a sabedoria de Daniel Mundukuru e a poesia de Heloisa Prieto, Vó Coruja fala de Irani, uma senhora de longos cabelos brancos que conhece todos os segredos do mundo. Durante uma festa de aniversário, ela conta aos netos cinco lendas indígenas tão gostosas de ler que parece que a gente se transporta para aquela rodinha de conversa, à beira do rio, de onde é possível escutar, ao longe, as celebrações de uma festa de aniversário. Importantíssimo para desenvolver o senso de tolerância dos nossos pequenos – não só entre povos, como também entre os jovens e os mais velhos. Também é perfeito para conhecer melhor as lendas dos povos brasileiros, que não merecem ser esquecidas.

2. Sopa

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Só depois de 15 páginas de belas ilustrações da argentina Raquel Cané que a história escrita realmente começa – e é justamente no momento em que a neta encontra a avó, depois de uma longa viagem de trem para visitá-la. O encontro é celebrado com sopa. A receita, tão saborosa e tão cheia de memórias, é absorvida pela neta, que depois de alguns anos passa a servir o mesmo caldo quente às filhas, em uma continuação das sutilezas da vida.

3. A Avó Adormecida

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Com a delicadeza que só um bom escritor consegue ter, o italiano Roberto Parmeggiani fala sobre o relacionamento que ele teve com sua avó quando era criança. Carinhos e cumplicidades entre idosos e crianças que a maioria de nós conseguimos nos identificar. E com toda a delicadeza do mundo, Roberto conta como foi passar pela sensação de vazio e impotência com a morte dela. Um livro interessante para crianças maiores, que precisam de uma ajuda extra para entender esse fato da vida tão comum, mas cheio de tabus.

“As Aventuras de Glauber & Hilda”: um dos livros mais geniais de 2015

Prepare-se para conhecer um dos melhores lançamentos na literatura infantil nacional dos últimos tempos: o livro As Aventuras de Glauber & Hilda, escrito pela jornalista Índigo e ilustrado por Caco Galhardo, é simplesmente genial.

Ele conta a história de um casal inusitado: Hilda é esperta, prática, despojada, valente. Glauber é sonhador, poético, pacifista, tranquilo. À primeira vista, nem parece que é livro para criança. Mas é sim. Hilda é uma pulga, e Glauber é um ácaro.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Juntos até que a morte os separe, o casal passa por perrengues dignos apenas de seres da última escala da pirâmide alimentar: os parasitas. O livro começa com os dois tentando fazer sucesso num circo decadente. Assim que a situação vai complicando para o lado deles, Glauber e Hilda dão um jeito de escapar. Sempre em busca da felicidade – ou, pelo menos, de um lar.

As Aventuras de Glauber & Hilda

Os dois tentam morar nos pelos da Monga, a mulher gorila; em um cão de rua que só tem três patas; numa pomba barulhenta; no cabelo de um surfista e até nas barbas do Profeta.

É hilário. 😀
Capa do livro As Aventuras de Glauber & Hilda
As Aventuras de Glauber & Hilda
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Indicado para crianças a partir de 8 anos
Autora: Índigo
Ilustrador: Caco Galhardo
Páginas: 47
Editora: Companhia das Letrinhas

Saiba mais sobre “Breve História de um Pequeno Amor”, livro vencedor do Jabuti

É raro um livro infantil conquistar o prêmio máximo do Jabuti – o mais importante da literatura brasileira. Breve História de um Pequeno Amor, de Marina Colasanti, foi premiado como livro de ficção do ano de 2014. O reconhecimento não veio só agora. O livro já tinha levado o selo “Altamente Recomendável – Categoria Criança” e o prêmio “Criança Hors-Concours” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em maio de 2014.

A breve história do amorico de Marina carrega, em páginas com poucas frases, fontes grandes e ilustrações simples, toda a sensibilidade que pode existir no ser humano. Fala sobre o amor que vai se desenvolvendo entre a escritora e um filhote de pomba desamparado.

A história é real – sim, Marina criou um pombo e apegou-se à ele como um filho – e sim, ela sentiu ciúme de mãe quando o pombo arrumou uma namorada e preferia passar mais tempo com ela do que com a escritora. E justamente por ser real que o livro não tem crianças. Apesar de singela, a breve história de um pequeno amor é densa como um sentimento.

Mas peraí: esse é mesmo um livro para crianças? Sim! Quem disse que criança não sente amor ou ciúme? Quem disse que livro de criança não pode ter criança? É porque a escritora sabe que uma criança é também ser humano que ela produz boa literatura para elas. Pensar que criança não sabe discutir, interpretar e analisar, é escrever de um jeito simplista – uma maneira de entrar num ciclo de literatura ruim e subestimar leitores. Talvez uma criança ainda não seja capaz de sentir o ciúme que as mães sentem. Mas, escrever livros com o intuito da criança se identificar com a obra pode ser outro erro. Afinal, quando a gente lê García Marquez ou Saramago, nem sempre nos identificamos com os personagens.

Mais sobre o livro

Com 45 páginas e um folheto com perguntas de interpretação de texto, o livro foi lançado pela editora FTD, uma das principais produtoras de livros didáticos no Brasil.

Tudo começa com uma infiltração no teto do apartamento. Para corrigir, seria preciso trocar as telhas. Debaixo do telhado, havia um ninho de pombos. A mãe, assustada com a reforma, voou para longe, deixando suas duas crias à mercê do destino.

Comovida, a escritora pegou os dois filhotes para criar. Dias depois, um deles morre e sobra outro, que vai crescendo e ficando forte até o ponto de ganhar um nome: Tom, em lembrança de Tom Hanks, protagonista do filme “Náufrago”.

Os dois começam uma relação de mãe e filho. Vários episódios cotidianos são descritos até o dia em que Tom decide “casar-se” com a namorada e procura outro lugar para morar. Parece um episódio, um pedaço de história maior. Uma crônica singela. E essa foi a intenção da escritora: no fim do livro, ela conta que gosta de arrumar histórias na fila do ônibus, na feira, na praia, no elevador ou na natureza. O mundo como ele é. Simples e complexo ao mesmo tempo.

Quem é Marina Colasanti

Nascida na Eritreia, África, em 1937, Marina passou a infância na Itália e, na adolescência, veio morar em um palacete no Rio de Janeiro. Tentou ser artista plástica, mas se descobriu escritora quando começou “pintar” palavras. De vez em quando, ela escreve para crianças. Mas é como se escrevesse para pessoas. Seus livros podem ser lidos por todas as idades – inclusive os contos de fadas, em que ela sempre insere elementos questionadores sobre o consumismo, a inveja, o egoísmo, amizade, as relações familiares… Adulto demais? Não. Humano demais.

Breve história de um pequeno amor

Breve História de Um Pequeno Amor
Autora: Marina Colasanti
Ilustradora: Rebeca Luciani
Páginas: 45
Editora: FTD

Halloween: livros sobre monstros, terror e medo para crianças

Sim, o Dia das Bruxas é uma data que tem muito mais a ver com a cultura dos Estados Unidos do que com a brasileira. Mas uma coisa é certa: criança que é criança sente medo e adora histórias fantásticas. Em qualquer parte do mundo.

Para celebrar a imaginação dos nossos pequenos, aí vão três sugestões de livros com participações especiais de seres ~assustadores~ para divertir as crianças:

O Medo que Mora Embaixo da Cama

O livro de Mariza Tavares trata de um assunto supercomum para crianças pequenas: a imaginação que, à noite, se transforma em medo. Objetos do cotidiano podem virar monstros assustadores no apagar das luzes. Na história, um menino derruba todos os seus temores desconstruindo os monstros e revelando, com uma lanterna, que os seres fantásticos não passam de meias com chulé, ursos de pelúcia, carrinhos de brinquedo…

Com rimas divertidas, o livro é ideal para ler para crianças em noites em que elas são acometidas por medos comuns das mentes mais criativas – principalmente as mais novinhas. 🙂

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O Coiso Estranho

A linguagem rebuscada de O Coiso Estranho, de Blandina Franco, apresenta um monstro espiclondrífico, que na verdade não passa de um chafalhão que gosta de ir a pangalhadas.

Bom para ler em voz alta, tentando não errar as palavras difíceis. 🙂 No fim do livro, todo ilustrado com grãos de areia colorida por José Carlos Lollo, há um dicionário que explica todas as palavras malucas usadas para apresentar o Coiso.

Não chega a ser um livro de terror – a não ser que a criança tenha medo de palavras grandes e esquisitas! (Sim, essa fobia existe. O nome dela é hipopotomonstrosesquipedaliofobia). :p

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Vampiro – Uma Tenebrosa Noite de Sustos, Doces e Travessuras

O terceiro livro da série Meus Queridos Monstrinhos, escrita por André Vianco, conta como o personagem principal, o menino Pedro, se mete em enrascadas por causa de sua paixão secreta pela Bia.

Na noite de 31 de outubro, Bia pede a ajuda de Pedro para resolverem o problema de Eric Depiro, um amigo incomum que vem sofrendo de uma terrível dor de dente. A história é bem leve e tem tudo a ver com o universo das crianças de hoje, principalmente as mais grandinhas, com mais de 9 anos.

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Três livros para crianças em fase de alfabetização

Já é quase fim de ano escolar e as crianças mais novinhas estão no ápice da alfabetização. Para aproveitar o momento, eis aqui minhas três sugestões para meninos e meninas que já aprenderam o alfabeto e querem se encantar ainda mais com as palavras:

1. Socorram-me em Marrocos

Oi, rato otário. Não, não estou te xingando. Este é um dos 12 palíndromos divertidos que estão no livro Socorram-me em Marrocos (o título é uma versão enxuta do palíndromo mais famoso da língua portuguesa: “socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”). O poeminha, feito de um verso só, brinca com letras espelhadas: se você ler a frase de trás para frente, ela vai dizer a mesma coisa.

As frases foram criadas por gente criativa como Laerte, Gregorio Dudivier, Marina Wisnick, Paulo Werneck, Sofia Mariutti e Chico Mattoso. As ilustrações a lápis de Andrés Sandoval dão uma cara de caderno de criança ao livro, que ainda foi impresso em forma de brochura. Ou seja, conversa de igual para igual, numa tentativa de estimular a criatividade dos pequenos em produzir seus próprios palíndromos.

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2. Alfabarte

O livro francês traduzido para o português vem com um desafio intrigante: descobrir as letras escondidas em 26 quadros de artistas ocidentais famosos que presentearam o mundo com suas pinturas por sete séculos, como Uccello, Bosch, Picasso, Mondrian, Matisse, Manet e Van Gogh.

Consegue encontrar a letra A?

Consegue encontrar a letra A?

Além de aguçar os sentidos para encontrar as letras escondidas e aprender a ler com mais facilidade, Alfabarte é uma boa iniciação para a história da arte. No fim do livro, há boxes que explicam um pouco mais sobre o contexto em que as obras foram criadas, e as curiosidades por trás de cada pintura. Não pense que é chato: aqui, o que mais importa é apreciar os detalhes e se deixar levar pelas formas e cores.

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3. O Bicho Alfabeto

Este é para crianças curiosas em saber até onde as construções do alfabeto podem ir. O livro do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989) é um exemplar do que a língua portuguesa e os haicais (um poema japonês com três versos e uma métrica bem fechada) são capazes. No início do livro, o prefácio escrito por Arnaldo Antunes dá exemplos: “Como não sentir a lisura da lesma no liz e les do verso ‘feliz a lesma’? Ou não identificar a palavra letras na palavra estrelas – uma chuva, que dá na outra, poça?”

Para ilustrar essa brincadeira do Leminski, ninguém melhor do que um gênio das brincadeiras: Ziraldo.

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Qual é o seu livro de infância?

No Dia das Crianças, resolvi fazer um post diferente: desta vez, escrevo sobre o livro que marcou a minha infância e até ajudou a moldar minha personalidade e meus valores pessoais. Sim, livros têm esse poder! (não, não é um livro religioso) :p

O Mágico Desinventor, do mineiro Marco Túlio Costa, foi escrito em 1981 (dois anos antes de eu nascer) e é ficção científica das boas: um mágico de nome esquisito, que mora em uma casa antiga, em uma pracinha arborizada, está preocupado com o rumo que a humanidade escolheu. Construções, implosões, poluições, e outros ões estão provocando desastres não só na natureza, como também nas relações sociais (o livro é mais profundo do que parece, mas continua sendo uma história infantil).

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Ao lado de seu coelho Planador, Hafilazundumzaptbum (o mágico) tem uma ideia brilhante: resolve desinventar as coisas, forçando as pessoas a voltarem a ter uma vida mais conectada com a natureza.

A partir daí, várias invenções humanas começam a sumir. Quando as televisões desaparecem, um grupo de crianças frequentadoras da pracinha começa a suspeitar de que tudo isso seja obra do mágico que mora na casa velha. Só que, antes que resolvam o enigma, as crianças caem numa espécie de armadilha e viajam para o futuro.

Uma parte delas vai parar em um possível mundo pós-guerra atômica. Os humanos sofreram mutações para sobreviverem ao ambiente poluído. Outra parte conhece um futuro em que os avanços da tecnologia saíram do controle e os robôs passaram a escravizar humanos.

Ok, ok, o livro é um exemplar das teorias que surgiram nos anos 70, adaptadas para a linguagem infantil. É até meio hippie. Fala de amor, natureza, sociedade, paz. E continua mais atual do que nunca.

Ilustra maneira

Ilustra maneira

Como O Mágico Desinventor tornou-se meu Livro de Infância

A casa da minha avó sempre foi repleta de livros. Eles estavam não só nas estantes enormes, mas também nos banheiros, nas cabeceiras das camas, em cestas, armários, na cozinha. Tinha (e tem até hoje) livros por todos os lugares.

Estava passando minhas férias escolares na casa dela. E encontrei esse livro escondido em algum armário. A capa rasgada, mas umas ilustrações malucas. Peguei para ler e não larguei mais, até terminar. Li rapidinho, como a gente faz quando lê bestseller. E depois que terminei, devolvi o livro ao “esconderijo” dele. Nunca foi meu. Nunca mais o vi. Mas lembro dele como se tivesse lido agora há pouco.

Depois que me mudei para São Paulo, nessas andanças por sebos intermináveis, reencontrei O Mágico Desinventor. Dessa vez com a capa completa. Nunca tinha visto o desenho inteiro e morria de curiosidade de saber como era. Agora o livro é meu. A foto dele está aí em cima.

E você, tem um Livro de Infância? Espero que sim. Feliz Dia das Crianças!

Atrações imperdíveis para crianças na Bienal do Livro de São Paulo

Começa nesta sexta (22) a 23ª edição da Bienal do Livro de São Paulo. O maior evento de literatura da América Latina ocorre no Pavilhão de Exposições do Anhembi até o dia 31 de agosto e traz, em 2014, mais de 400 atividades para os amantes de livros — dentre elas, 100 são destinadas às crianças.

As atividades para o público infantil ficam concentradas no Espaço Imaginário — uma área de 650 metros quadrados que vai receber uma bancada para a galera desenhar e criar, uma espécie de mirante para conversas e encontros, um espaço para exposições e até uma floresta.

Selecionei sete atividades que vão rolar no Espaço Imaginário nesta Bienal do Livro. Faça as suas escolhas e leve as crianças!

1. Floresta de Narrativas
São 21 árvores cenográficas que formam uma espécie de bosque artificial interativo: cada tronco possui um fone de ouvido, e os visitantes podem escutar narrações diversas, como se estivessem ouvindo as árvores. Dentro dessa floresta, há ainda tablets, app-books e um olho mágico para ver cenas de filmes inspirados em livros. Além disso, árvores de livros estarão dando frutos: livros, gibis e outros materiais de leitura ficarão disponíveis para a leitura silenciosa dos pequenos.

2. Pedro Bandeira
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O autor brasileiro mais querido das crianças e adolescentes (e adultos) na atualidade, Pedro Bandeira tem mais de 20 milhões de livros vendidos. Nesse encontro com crianças (e adolescentes e adultos), ele fala sobre os seus personagens mais famosos, Os Karas, e conta histórias sobre a vida de escritor.
26 de agosto, terça-feira, às 15 horas

3. Daniel Munduruku
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O indígena mais influente no mundo da literatura infantil brasileira estará na Bienal para falar não apenas sobre os seus livros, mas sobre a cultura indígena. Para crianças que vivem em São Paulo, podem ocorrer descobertas incríveis sobre o mundo desses povos que vivem não em florestas de narrativas, mas em florestas de verdade.
27 de agosto, quarta-feira, às 17 horas
28 de agosto, quinta-feira, às 13 horas

4. Ilan Brenman
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Para mim, ele é um dos melhores autores infantis do Brasil – aguarde, em breve farei um post só sobre ele. Vale a pena ir não só levar as crianças, mas ir junto. Pode ser que role papo de adulto, também: Brenman é colunista da revista Crescer e é a voz do boletim Conversa de Pai, na rádio CBN.
29 de agosto, sexta-feira, às 17 horas

5. João Montanaro
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Ele não tem nem 18 anos e é uma das figuronas das charges no Brasil. Montanaro tem um talento nato e já produziu charges e tirinhas para a Folha de S.Paulo e até para a revista Recreio (onde trabalhei).
24 de agosto, domingo, às 14 horas
30 de agosto, sábado, às 14 horas

6. Luke Ross
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Atenção, amantes de HQs da Marvel e DC Comics: Luciano Queirós (o Luke) já trabalhou no “Espetacular Homem-Aranha” e no “Jonah Hex”. O brasileiro é ilustrador de quadrinhos desde a década de 1990 e em 2008 tornou-se colaborador exclusivo dos gibis da Marvel.

7. Ateliê Bolonha
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Neste espaço, ilustradores de livros infantis mostrarão suas técnicas de pintura ao vivo. Crianças artistas podem se interessar bastante! Veja os meus destaques:
Laurent Cardon – o francês mora no Brasil desde 1995 e já ilustrou Ana Maria Machado: 23 de agosto, sábado, às 12 horas; e 31 de agosto, domingo, às 11 horas.
Maria Eugenia – ela tem um traço delicado e já ganhou Jabuti: 23 de agosto, sábado, às 14 horas.
Lúcia Hiratsuka – cheia de influências orientais, sua técnica mais conhecida de pintura é a sumiê, originária da China: 24 de agosto, domingo, às 12 horas; e 28 de agosto, quinta, às 12 horas.

Extra: Mauricio de Sousa

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Sim, o pai da Mônica estará na Bienal. Entre as atividades, estão programadas um bate-papo sobre os 50 anos da Turma da Mônica e um monte de sessões de autógrafos. Ele não aparece no Espaço Imaginário, mas em outros lugares da Bienal. Siga o Mauricio:

  • Lançamento do dicionário “O Aurélio com a Turma da Mônica: o Mundo das Palavras em Cores”, com sessão de autógrafos com Mauricio de Sousa
    Estande Abrelivros (C300) | 25 de agosto, segunda-feira, às 13 horas
  • Sessão de autógrafos da coleção Biblioteca da Turma com Mauricio de Sousa
    Estande Abrelivros (C300) | 30 de agosto, sábado, às 10 horas
  • Releituras estéticas nos quadrinhos: roteiro e personagem em transformação – um bate-papo entre Mauricio e seus parceiros que ilustram a Turma da Mônica
    Salão de Ideias (L298, Alameda L) | 30 de agosto, sábado, às 14 horas
  • Os quadrinhos na formação de leitores – 50 anos da Turma da Mônica
    Arena Cultural (H 201, Alameda H) | 30 de agosto, sábado, às 18 horas

Música, dança, circo, teatro e cinema
Foi mergulhar nos livros, mas quer mais? Fique de olho na programação de cinema, teatro e música. Tem um montão de coisas para crianças. Para saber mais, clique aqui.

Como ir à Bienal do Livro?

A 23ª Bienal do Livro em São Paulo (SP) ocorre no Pavilhão de Exposições do Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana):


O evento ocorre de 22 a 31 de agosto. De segunda a sexta, abre das 9h às 22h. Aos sábados e domingos, funciona das 10h às 22h. No dia 31, a Bienal acaba às 21h.
Ingressos:
– Segunda a quinta – R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia).
– Sextas, sábados e domingos – R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia).

Míriam Leitão não fala só de economia: também escreve sobre meninas e passarinhos

Vem lá dos anos 1980 as minhas primeiras lembranças da jornalista Míriam Leitão: uma repórter séria, muito séria, que sempre falou na TV sobre um dos temas mais cabeludos do universo (principalmente naquela época de inflações exorbitantes): economia.

Recentemente ela esteve envolvida em dois episódios adultos demais para um blog sobre literatura infantil. Um sobre seu verbete ser alterado no Wikipedia por um IP de computador do Palácio do Planalto e outro sobre seu depoimento da época em que foi presa e torturada por militares durante a ditadura no Brasil.

E não foi pequena a surpresa quando descobri que a mesma Míriam, tão séria, havia lançado um livro infantil. Quer dizer: dois livros infantis. O mais recente, A Menina de Nome Enfeitado, acaba de sair pela editora Rocco.

Míriam Leitão também tem coração!

Míriam Leitão também tem coração!

No livro, a menina Nathália está aprendendo a ler e fica intrigada com a função da letra H. Principalmente porque, no nome dela, a consoante só serve para enfeitar. Com ajuda de sua tia Nininha, Nathália descobre um mundo de possibilidades que a 8ª letra do alfabeto oferece.

Com ilustrações fofas de Alexandre Rampazo, A Menina de Nome Enfeitado é perfeito para crianças em fase de alfabetização. Quase um livro didático 😉

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A Menina de Nome Enfeitado
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 5 anos
Ilustrações: Alexandre Rampazo
Páginas: 24
Editora: Rocco

Já o livro de estreia da jornalista na literatura infantil, A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos, publicado em 2013, tem mais jeito de Míriam Leitão.

Quando eu conheço uma pessoa, eu tenho a estranha mania de ler os textos escritos por ela imaginando a voz dessa pessoa. É, pois é. Eu li o livro dos passarinhos ouvindo a voz da Míriam. Principalmente no primeiro parágrafo:

“A chuva não parava. Isso preocupava a passarinhada. O passarinho novo, que havia nascido no ninho, bem perto da janela da casa da Fazenda, estava em perigo. Os pais Coleirinhos tinham decidido fazer o ninho naquela árvore. Foi um erro. A árvore era bonita, florida, mas era pequena. Na verdade, era um arbusto. Arbustos não crescem muito. Aquele seria sempre mais ou menos pequeno.”

É quase uma figura de linguagem sobre a história da economia brasileira :-p Brincadeira. A história é lindinha, de uma sensibilidade que só avós (como ela é, e como a minha avó, que ama passarinhos, também é) podem repassar. Fala justamente sobre como é estressante a vida dos passarinhos pequenos – mesmo para os que vivem soltos em uma fazenda repleta de mata nativa.

O texto tem nuances que revelam aquelas sabedorias de avó, intercaladas pela personalidade jornalística de Míriam. Ela menciona tanto o pássaro Fogo-Apagou (que, OPA!, a minha avó também conhece e adora escutar o seu canto, tão raro e tão melancólico), como também menciona termos que sempre estão em suas análises:

“Como fazer para aumentar a mata?
— Isso está virando um grave problema econômico — disse o Sabiá, enchendo o ar de seu peito laranja.
— Problema habitacional: não tem casa para todo mundo — corrigiu o Bem-te-vi.”

Usando metáforas do que acontece nos quintais e nas fazendas brasileiras, a primeira história infantil de Míriam não só expõe os problemas dos passarinhos, como a preocupação que está nos corações de crianças de todas as idades: o nosso grande problema com o meio ambiente. Com pitadas de sentimentos de justiça, de direitos igualitários e vida em sociedade, escritos com propriedade de quem já lutou contra a ditadura militar (como a minha avó também lutou).

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A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 8 anos
Ilustrações: Rubens Matuck
Páginas: 55
Editora: Rocco

Seus filhos estão amando futebol? Veja três livros sobre futebol para crianças

1. Maluquinho por Futebol

Vida de moleque é vida boa, e vida de menino? É gol! Ziraldo, que está sempre nos nossos corações, também tem um livro (aliás, ele tem vários) sobre o esporte mais adorado do planeta. Maluquinho por Futebol é uma compilação de 16 histórias em quadrinhos maluquinhas.

Nos quadrinhos, o menino que usa uma panela na cabeça joga com seus amigos e mostra suas habilidades – seja no esporte ou nas piadas. Muito gostoso de ler. E de ver!

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Maluquinho por Futebol
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 8 anos
Autor: Ziraldo
Páginas: 112
Editora: Globinho

2. Folclore de Chuteiras

No lançamento da editora Peirópolis, um time formado por personagens folclóricos do Brasil joga contra uma equipe de monstros do folclore de vários países. Em pleno Maracanã lotado!

O livro é narrado como se estivéssemos ouvindo a partida pelo rádio, naquele estilo clássico das antigas coberturas radiofônicas dos jogos de futebol. A criança pode se identificar melhor com a narração da TV, que é bem parecida (eu mesma li ouvindo as vozes do Galvão, do Neto, do Caio Ribeiro…)

O fim do livro mostra as lendas de todos os jogadores participantes – o legal é que eles estão ilustrados como se fossem figurinhas de um álbum da Copa. Não recomendo para crianças muito pequenas (exceto a primeira parte, da narração do jogo), pois há histórias cabeludas como a do Romãozinho (a lenda diz que foi um garoto que mentiu, provocou a morte da mãe e foi amaldiçoado por ela) e a do Cabeça-de-Cuia (um personagem do Piauí que mata a própria mãe com um pedaço de osso). Ui!

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Folclore de Chuteiras
Indicado para crianças com idade superior a 10 anos
Autor: Alexandre de Castro Gomes
Páginas: 70
Editora: Peirópolis

3. 1 Drible, 2 Dribles, 3 Dribles – Manual do Pequeno Craque Cidadão

Se Marcelo Rubens Paiva foi o herói da sua adolescência, dê uma chance para ele ser o herói da infância dos seus filhos. Em 1 Drible, 2 Dribles, 3 Dribles – Manual do Pequeno Craque Cidadão, o autor de Feliz Ano Velho relembra as sua época do futezinho na escola para contar a história de Joca: um garoto que é bola cheia, mas muda de cidade e percebe que ninguém do colégio novo sabe das suas habilidades futebolísticas.

O livro tem 105 páginas, mas o conto do Joca vai até a 44 – o restante é dedicado a explicar ao ~pequeno craque cidadão~ os termos do mundo do futebol, como derby, frango e solar. Se já é delicioso para quem não é tão ligado assim para o futebol, imagina na Copa para quem gosta.

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1 Drible, 2 Dribles, 3 Dribles – Manual do Pequeno Craque Cidadão
Indicado para crianças com idade igual ou superior a 10 anos
Autor: Marcelo Rubens Paiva
Ilustrador: Jimmy Leroy
Páginas: 105
Editora: Companhia das Letrinhas

Seis livros de poesia para encantar crianças de idades diferentes

Que tal colocar as crianças em contato com livros de poesia de qualidade, divertidos, leves e cheios de belas ilustrações? Aí vão seis dicas para preencher a estante (e o coração) delas:

1. Ponto de Tecer Poesia

Não há sensação melhor do que entrar numa livraria e encontrar livros como esse: antigos, de autores sensacionais (como a lúdica Sylvia Orthof – que também escrevia para a Recreio), mas reeditados, com ilustrações atualizadas e cheirinho de novo.

É quase uma volta ao passado. Em Ponto de Tecer Poesia, Sylvia brinca com linhas, lã, tecido, agulhas… E costura tudo isso com palavras fofinhas.

Uma poesia de malha,
feita de lã de ovelha,
faz o que
lhe dá
na telha!

A escritora era apaixonada por costura, bordado e ponto cruz e viveu até 1997 juntando essas “tarefas da vovó” com a sua outra paixão: escrever para crianças.

O livro é tão gostoso que dá vontade de não só ler os poemas, como também usá-los, como se fossem um belo par de meias quentinhas. Vem, inverno!

ponto-de-tecer-poesia-capaPonto de Tecer Poesia
Indicado para crianças com idade a partir de 6 anos
Autora: Sylvia Orthof
Ilustradora: Tatiana Paiva (que aprendeu a bordar seu nome com a ajuda da avó)
Editora: FTD
Páginas: 40

2. Estrelas São Pipocas e Outras Descobertas

Antes que se encantem pelo Sol, pelo Mar, pela Lua de Pablo Neruda, crianças podem se encantar com o Sol, o Mar e a Lua de Goimar Dantas. São versos mais inocentes do que os clássicos de Neruda, e por isso mesmo, mais divertidos – dando sustentação para o desenvolvimento do universo imaginário dos pequenos.

Com explicações que vão em sentido contrário das científicas (elas seguem um rumo mais criativo), a neve torna-se um algodão geladinho, a Lua é a lamparina que o Sol apaga mais tarde, e o Sol é um quindim que está assando há milhões de anos. Ah, e as estrelas são pipocas que caem no chão do céu. É muito amor!

capa-estrelas-sao-pipocas-llivroEstrelas São Pipocas e Outras Descobertas
Indicado para crianças com idade a partir de 6 anos
Autora: Goimar Dantas
Ilustradora: Ana Maria Moura
Editora: Cortez
Páginas: 27

3. Passariques do meu Quintal

Nomes de pássaros são divertidos, principalmente para quem é curioso o suficiente para querer conhecê-los – como crianças são naturalmente. O fura-buxo, o papa-açúcar e o olho-de-fogo são aves reais. Mas o cardeflon-de-cartola, o estrunfo-exuberante e o merclis-do-pé-torto são os passariques que vivem no quintal do menino. Ele só queria ir lá fora observá-los, mas precisa estudar matemática.

Pera, não era poesia? Parece mais livro de conto! Na verdade, o livro é de limeriques – poemas curtos e meio nonsense que têm uma métrica definida: são cinco versos. Os dois primeiros rimam com o último, e a terceira e a quarta linhas rimam entre si.

Nas últimas páginas há quatro limeriques (que não têm a ver com passariques, mas também são deliciosos) escritos por Tatiana Belinky, que morreu no ano passado aos 94 anos, depois de uma longa e brilhante carreira no universo da literatura infantil.

Uma dica para aproveitar ao máximo o livro: se você sentir que os limeriques cativaram a criança, peça a ela para escrever alguns, também. É um ótimo exercício para a criatividade. E nem precisa ser sobre passariques. Dá para escrever sobre peixeriques, monstroriques, dinossauriques… 😉

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Passariques do meu Quintal
Indicado para crianças com idade a partir de 7 anos
Autora: Blandina Franco (participação especial de Tatiana Belinky)
Ilustrador: José Carlos Lollo
Editora: Globinho
Páginas: 40

4. Corre, Caio!

Livros com nomes de pessoas são extremamente cativantes… Para quem tem a sorte de ter um livro com o seu nome. Mas Corre, Caio! também cativa qualquer leitor (principalmente os que estão aprendendo a ler agora) por brincar muito com a letra C.

Nos versinhos criados pela carioca Graça Lima, Caio sonha com o cavalo corcel, castelos e cavaleiros, e quando acorda, corre para curtir com a criançada. Opa, fui contagiada!

corre-caio-livro-capaCorre, Caio!
Indicado para crianças com idade a partir de 4 anos
Autora e ilustradora: Graça Lima
Editora: Global
Páginas: 24

5. Lua e Sol

Ilustrado com fotos de esculturas em massinhas, Lua e Sol tem um jeitinho docemente vintage, da época em que a gente era criança e muitos livros eram ilustrados com fotos coloridíssimas de objetos inanimados.

Os poemas falam sobre a importância da estrela e do satélite para a Terra e para os que vivem nela. Os dois ainda disputam para saber qual é o mais VIP de todos. Gostoso, fácil de ler, e ótimo para aprender: afinal, os versos são do professor Nílson José Machado, especialista em educação.

Lua-e-Sol_capa-livroLua e Sol
Autor: Nilson José Machado
Ilustrador: Salmo Dansa
Fotos: Ricardo Pimentel
Editora: Escrituras
Páginas: 44

6. Bolinho de Chuva e Outras Miudezas

Os versos desse livro são todos singelos, como uma infância que se passa em cidade do interior.

São 41 poemas inspirados na lembrança que o autor, Paulo Netho, tem de uma época em que, nos dias de chuva, todas as famílias ficavam dentro de casa, na maior preguiça, se empanturrando dos bolinhos fritos e cobertos de açúcar que qualquer avó-cozinheira-de-mão-cheia sabe fazer.

Também tem histórias de bolas que vão parar na casa do vizinho, de colheres que viram aviõezinhos, de meninas vermelhas e azuis, de domingos chuvosos e outros ensolarados. Separe para ler com as crianças nos dias de chuva. 🙂
Capa_Bolinho-de-chuva Bolinho de Chuva e Outras Miudezas
Indicado para crianças com idade a partir de 7 anos
Autor: Paulo Netho
Ilustrador: Carla Irusta
Editora: Peirópolis
Páginas: 80