História de Mix, Max e Mex: um livro que tem tudo para se tornar um clássico

Sabe aqueles contos europeus antigos, que se passam em frias cidadezinhas históricas, ou em fazendas úmidas, onde as estações do ano são definidas, as pessoas e os bichos têm funções estabelecidas e eles cumprem essas funções à risca? São aquelas histórias que, em poucas páginas, contam o tempo de décadas, e fazem a gente acreditar que nesses lugares, o tempo passa diferente.

Tem muita história assim. A maioria delas foi escrita no século passado. E é um alento saber que o estilo está de volta, através da mente inspiradora do chileno Luis Sepúlveda. Principalmente numa época em que crianças bananas, ou bruxas, ou semi-deusas, escolhidas misteriosamente para cumprir missões de salvar a humanidade, dominam as prateleiras das livrarias.

História de Mix, Max e Mex se passa em Munique, na Alemanha. Em um apartamento com vista para a Igreja das Mulheres, um rapaz (Max), um gato (Mix) e um rato (Mex) dividem seus sonhos, seus medos, seus anseios, suas angústias e suas alegrias em situações rotineiras. Juntos, os três vivem uma cúmplice amizade que passa longe de servir de modelo para histórias de super-heróis salvando o planeta Terra.

As torres abobadadas da Igreja das Mulheres, mais conhecida por Frauenkirche, pode ser vista de todos os lugares de Munique, na Alemanha

As torres abobadadas da Igreja das Mulheres, mais conhecida por Frauenkirche, pode ser vista de todos os lugares de Munique, na Alemanha (foto: picmasta/Flickr/creative commons/by-nc-sa)

Os três personagens vivenciam um companheirismo mais simples, mais comum, mais bonito. Seria uma história real (de certa maneira, é, já que o livro é inspirado em uma história real), se não fosse a improvável amizade entre um gato e um rato.

Por que seus filhos devem ler esse livro?

Além da história inspiradora de Spúlveda, o livro ainda traz dicas de outras obras importantes, que têm essa característica de contos do século 20. Entre eles, os interessantíssimos Caninos Brancos (Jack London), O Último dos Moicanos (Fenimore Cooper), A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia (Selma Lagerlöf), Vinte mil Léguas Submarinas (Júlio Verne).

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História de Mix, Max e Mex
Indicado para crianças a partir de 10 anos
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Autor: Luis Spúlveda
Ilustradora: Noemí Villamuza
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 63

“O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, é a bíblia da infância

Em casa de cristão, tem Bíblia. Em casa de muçulmano, há o Alcorão. Em casa de judeu, a Torá. E em casa que tem criança, há sempre um exemplar de O Pequeno Príncipe.

Ou pelo menos deveria haver, de acordo com as estatísticas. O Pequeno Príncipe é o livro infanto-juvenil mais vendido de todos os tempos na história. Está sempre no top 10. É difícil sair dali.

Mas o que faz desse livro ser uma referência em literatura para crianças? A pergunta parece até um sacrilégio. É como perguntar por que a Bíblia é referência para o cristão, ou por que o Alcorão é referência para o muçulmano.

Com toda a sensibilidade que um ser humano deveria ter para conversar com uma criança, Antoine de Saint-Exupéry escreveu uma espécie de livro de filosofia para todas as idades.

Ele começa com um relato de um desenho de uma cobra que engoliu um elefante. Nenhum adulto compreende o desenho, porque a cobra ficou parecida com um chapéu. Mas o elefante está ali sim. Desenhar coisas megacriativas, brincar de faz-de-conta, achar graça em algo que não faz sentido para os adultos são umas das grandes “frustrações” da infância. De um simples desenho “mal feito”, a gente pode virar a chavinha da filosofia e pensar em grandes questões da humanidade, como existência, relacionamentos, e principalmente, a infância.

A história do Pequeno Príncipe de cabelos dourados é contada por um aviador que se perde no deserto da África. Durante os dias em que convivem no meio da areia silenciosa, o príncipe relata as seis visitas que fez a outros planetas antes de chegar à Terra. Conheceu um rei, um vaidoso, um homem sério, um beberrão, um acendedor de lampiões e um geógrafo. Depois de muita conversa filosófica (onde em praticamente cada página há uma frase de efeito, como “é bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros”), ele viaja para a Terra e conhece a sábia raposa.

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E dá-lhe mais frases geniais. É da boca da raposa que sai a famosa “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – praticamente um mantra repetido incessantemente aqui pelos lados ocidentais.

A melancolia intrínseca ao texto também tem um significado: não importa se você é criança, adulto, humano, raposa, rei ou flor, os sentimentos sempre farão parte da nossa existência. Ou, usando as palavras de Exupéry, “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. ❤️

Ler o livro enquanto a gente é criança é identificar-se com as questões da infância que a história levanta. Ler o livro quanto já somos adultos é mergulhar no nosso próprio ego, indo direto ao encontro da nossa sensível, criativa, singela e há muito tempo esquecida criança interior. Parece misticismo, quase religião. Mas que O Pequeno Príncipe é a Bíblia (ou o Alcorão ou a Torá) da infância, eu tenho certeza.

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O Pequeno Príncipe
Indicado para crianças de todas as idades
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Autor e ilustrador: Antoine de Saint-Exupéry
Tradutor: Dom Marcos Barbosa
Editora: Agir
Páginas: 94

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“O Jardim Secreto” é um destes clássicos para se ler com as crianças no inverno

Se você quer um livro que vai lançar ~sementes~ de inspiração para que seus filhos tornem-se pessoas melhores, O Jardim Secreto cumpre o papel.

A sensível história, publicada pela inglesa Frances Hodgson Burnett em uma revista para adultos em 1911, transformou-se em um clássico da literatura infanto-juvenil.

Rótulos à parte, o livro serve, sim, para todas as idades. Por isso, ler essa obra para crianças debaixo das cobertas e prontas para dormir, no friozinho das noites de outono e inverno, pode se tornar uma deliciosa maneira de passar bons momentos ao lado de pessoas amadas e de bela literatura.

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A transformação de Mary Lennox

A história começa na Índia: Mary nasceu em uma rica família de ingleses que não davam a mínima para ela. Sua mãe passava o tempo todo comparecendo a festas ou promovendo jantares, enquanto a garota era deixada com os empregados, que faziam de tudo que ela pedia.

Mary vivia solitária na Índia

Mary vivia solitária na Índia

Após um surto de cólera, a menina mimada perdeu todos os entes e foi levada para a Inglaterra, para morar em um gigantesco casarão ao lado de uma charneca (no livro a gente aprende o que é charneca), onde ali morava um tio corcunda e desgostoso da vida.

Mary detestava tudo, tinha ares de mandona, e nunca havia sorrido na vida. Até começar a explorar os campos perto da charneca e conhecer pessoas, animais e lugares que conseguiram, mesmo sem querer, desanuviar todo aquele peso que uma menininha amarela e magricela de 10 anos carregava consigo.

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Se os seus filhos se preocupam com meio ambiente e natureza, o livro pode deixá-los ainda mais apaixonados pelo assunto. Ele não menciona a importância da preservação ou a necessidade de cuidar dos recursos naturais. Claro, naquela época, o mundo ainda não falava sobre isso.

A história toca num assunto muito mais leve e sensível: são 277 páginas que falam sobre a maravilhosa e gratificante sensação de estar em contato com a natureza, os pequenos animais, as pessoas simples, o ar puro. De como é bom observar e atuar na transformação de um jardim esquecido em um paraíso florido. Mary transformou-se junto com o jardim. E com certeza, quem lê esse livro passa por uma pequena transformação. 🙂

Minha experiência com livro

O Jardim Secreto foi um dos meus livros de infância. Ganhei aos 11 anos, e li bem devagarinho, que era para a história durar mais. Hoje, aos 31, reli a nova edição, que continua com o mesmo texto traduzido por Ana Maria Machado, mas tem novas ilustrações (desta vez, coloridas).

Na nova edição, publicada pela Salamandra, a editora explica alguns diálogos que acontecem ao longo do livro e podem parecer polêmicos, pois indicam pensamentos discriminatórios e racistas dos personagens. Monteiro Lobato já foi várias vezes editado por causa disso, mas é preciso ter em mente, ao ler o livro, que assim como o brasileiro, a inglesa criou uma obra de ficção baseada nas relações sociais de sua época. Vale a pena ler para conhecer as antigas relações entre colonizadores e colonizados (Inglaterra e Índia, brancos e negros). É entendendo a história, e os erros do passado, que nos tornamos pessoas melhores, certo?

O livro virou filme

Talvez você tenha ouvido falar na história sem nunca ter lido o livro. O Jardim Secreto foi adaptado para o cinema em 1993. O filme também é muito fofinho, mas eu recomendo ler o livro antes para depois fazer as comparações ❤ Enquanto o livro não é lido, fique apenas com o trailer (atenção: o vídeo contém spoilers)

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O Jardim Secreto
Indicado para crianças com idade a partir de 10 anos
Autora: Frances Hodgson Burnett
Tradução: Ana Maria Machado
Ilustrações: Júlia Sardà
Editora: Salamandra
Páginas: 277

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“Maluquinho pelo Mundo”, de Ziraldo: uma prova de que existe menino maluquinho em todo lugar

Se o seu filho já tem idade para usar a internet, então você sabe que ele adooora passar um tempinho online. O Menino Maluquinho, eterno personagem do cartunista Ziraldo, se modernizou e também tem idade para acessar a internet.

É através de um programa de bate-papo que ele conhece outros meninos pelo mundo afora e descobre uma coisa: todos são maluquinhos como ele.

O livro Maluquinho pelo Mundo contém histórias em quadrinhos curtas e megacoloridas, que mostram como é a rotina de James Malukinson, um irlandês que adora tomar chá, ou Rajneesh Malukesh, um indiano que cuida do seu elefante para ganhar umas rúpias com turistas.

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Além dos dois acima, cada um dos personagens maluquinhos abaixo ganhou uma história (os nomes são hilários):

  • Antônio Maluko, da Angola
  • Pibe Piola, da Argentina
  • Maloo, da Austrália
  • Mahlu al Kim, do Egito
  • Nutty Nutty Boy, dos Estados Unidos
  • Petit Fou, da França
  • Giani Maluchino, da Itália
  • Hayato Marukoshi, do Japão
  • Loquito, do México
  • Anton Malukov, da Rússia

Além de relatar um pouco sobre o dia-a-dia das crianças de outros países, os ~malucos pelo mundo~ falam sobre os costumes das pessoas de cada lugar. Claro, de uma maneira lúdica e às vezes até superficial. Mesmo assim, não deixa de ser interessantíssimo para filhos ansiosos em conhecer o planeta inteiro.

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Maluquinho pelo Mundo
Indicado para crianças com idades a partir de 8 anos
Autor e ilustrador: Ziraldo
Editora: Globinho
Páginas: 112

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Sul-africano “Grande Assim” é escrito em português e xhosa

Toda criança já se pegou pensando em ser bem grande para alcançar coisas que ficam no alto.

No livro Grande Assim, o menino Tshepo não pensa diferente. Mas também não pensa igual a todo mundo.

Ele queria ser grande como um jatobá

Ele queria ser grande como um jatobá

Depois de jogar um adubo fedorento nos pés, se regar com a mangueira e dar dois espirros, Tshepo virou uma árvore grande. E descobriu que existem coisas muito maiores que não podem ser vistas – como a saudade.

O livro é escrito em português e em xhosa, uma das onze línguas oficiais da África do Sul. Ela é bem diferente do que a gente ouve falar por aí: cheia de cliques, parece até uma música.

Clique aqui para ouvir o livro Grande Assim narrado na língua xhosa. Repare nos cliques!

E, aproveitando que a língua parece música, aperte o play abaixo e ouça uma canção que  é conhecida como a música dos cliques:

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Grande Assim – indicado para crianças com idade igual ou superior a 5 anos
Autor: Mhlobo Jadezweni
Ilustrador: Hannah Morris
Editora: Peirópolis
Páginas: 36
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