“Eugênia e os Robôs” é uma história meio nerd que fala sobre… Humanos

Em suas histórias mais famosas, José Saramago ❤ utiliza um recurso simples e eficaz: a partir de uma suposição, ele desenvolve uma trama que capta o leitor até a última linha do emaranhado de frases sem pontos, ansioso para entender como seria se todo mundo ficasse cego, ou todo mundo votasse em branco.

A escritora e ilustradora Janaina Tokitaka usou do mesmo recurso, do E SE, para criar a história de Eugênia e os Robôs: e se todo mundo virasse robô de repente? A partir dessa suposição, a história desenvolve-se abordando as diferenças entre as pessoas, o sentido do eu, a tolerância social.

O livro tem uma menina como personagem principal, mas não é mais uma dessas garotas-clichês-vazias de livros infantis. A tímida e antissocial Eugênia é inteligente e adora tecnologia. Sem amigos na escola e sem pais ideais (que criança no mundo acredita que seus pais são os melhores, gente?), transforma seu quarto high-tech em um laboratório de robótica.

Ela curte tanto a ideia de criar robôs para brincar que decide transformar cada um dos seres vivos de sua cidade em máquinas. A partir daí, tudo começa a sair do jeitinho que ela queria. E a partir daí, a personagem principal, inteligente e tímida, transforma-se em anti-herói.

Eugênia começa a perceber que conviver com as diferenças é menos tedioso do que viver com gente, ou melhor, robôs, que agem exatamente como a gente quer. Em tempos de discussões políticas vazias e boçais que se parecem brigas de torcidas organizadas, o livro é ideal.

O livro tem trailer:

E tem capa, também:

Eugenia-e-os-robos-capa-livroEugênia e os Robôs
Indicado para crianças a partir de 9 anos
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Escritora e ilustradora: Janaina Tokitaka
Editora: Rocco
Páginas: 94