Saiba mais sobre “Breve História de um Pequeno Amor”, livro vencedor do Jabuti

É raro um livro infantil conquistar o prêmio máximo do Jabuti – o mais importante da literatura brasileira. Breve História de um Pequeno Amor, de Marina Colasanti, foi premiado como livro de ficção do ano de 2014. O reconhecimento não veio só agora. O livro já tinha levado o selo “Altamente Recomendável – Categoria Criança” e o prêmio “Criança Hors-Concours” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em maio de 2014.

A breve história do amorico de Marina carrega, em páginas com poucas frases, fontes grandes e ilustrações simples, toda a sensibilidade que pode existir no ser humano. Fala sobre o amor que vai se desenvolvendo entre a escritora e um filhote de pomba desamparado.

A história é real – sim, Marina criou um pombo e apegou-se à ele como um filho – e sim, ela sentiu ciúme de mãe quando o pombo arrumou uma namorada e preferia passar mais tempo com ela do que com a escritora. E justamente por ser real que o livro não tem crianças. Apesar de singela, a breve história de um pequeno amor é densa como um sentimento.

Mas peraí: esse é mesmo um livro para crianças? Sim! Quem disse que criança não sente amor ou ciúme? Quem disse que livro de criança não pode ter criança? É porque a escritora sabe que uma criança é também ser humano que ela produz boa literatura para elas. Pensar que criança não sabe discutir, interpretar e analisar, é escrever de um jeito simplista – uma maneira de entrar num ciclo de literatura ruim e subestimar leitores. Talvez uma criança ainda não seja capaz de sentir o ciúme que as mães sentem. Mas, escrever livros com o intuito da criança se identificar com a obra pode ser outro erro. Afinal, quando a gente lê García Marquez ou Saramago, nem sempre nos identificamos com os personagens.

Mais sobre o livro

Com 45 páginas e um folheto com perguntas de interpretação de texto, o livro foi lançado pela editora FTD, uma das principais produtoras de livros didáticos no Brasil.

Tudo começa com uma infiltração no teto do apartamento. Para corrigir, seria preciso trocar as telhas. Debaixo do telhado, havia um ninho de pombos. A mãe, assustada com a reforma, voou para longe, deixando suas duas crias à mercê do destino.

Comovida, a escritora pegou os dois filhotes para criar. Dias depois, um deles morre e sobra outro, que vai crescendo e ficando forte até o ponto de ganhar um nome: Tom, em lembrança de Tom Hanks, protagonista do filme “Náufrago”.

Os dois começam uma relação de mãe e filho. Vários episódios cotidianos são descritos até o dia em que Tom decide “casar-se” com a namorada e procura outro lugar para morar. Parece um episódio, um pedaço de história maior. Uma crônica singela. E essa foi a intenção da escritora: no fim do livro, ela conta que gosta de arrumar histórias na fila do ônibus, na feira, na praia, no elevador ou na natureza. O mundo como ele é. Simples e complexo ao mesmo tempo.

Quem é Marina Colasanti

Nascida na Eritreia, África, em 1937, Marina passou a infância na Itália e, na adolescência, veio morar em um palacete no Rio de Janeiro. Tentou ser artista plástica, mas se descobriu escritora quando começou “pintar” palavras. De vez em quando, ela escreve para crianças. Mas é como se escrevesse para pessoas. Seus livros podem ser lidos por todas as idades – inclusive os contos de fadas, em que ela sempre insere elementos questionadores sobre o consumismo, a inveja, o egoísmo, amizade, as relações familiares… Adulto demais? Não. Humano demais.

Breve história de um pequeno amor

Breve História de Um Pequeno Amor
Autora: Marina Colasanti
Ilustradora: Rebeca Luciani
Páginas: 45
Editora: FTD